Maria Madalena nasceu em Bréscia, de família nobre, em 1687, e recebeu no batismo o nome de Margarida. Admitida no mosteiro de freiras Capuchinhas no ano de 1705, nele foi mestra de noviças e depois abadessa, e sempre resplendeu por seus exemplos de virtude. Deixou alguns escritos de boa doutrina espiritual, e distinguiu-se pelos dons maravilhosos de que Deus a cumulou e pela sua conformidade com Cristo crucificado. Morreu em 1737.

 

Oração

Vós, Senhor Deus, que concedestes à Beata Maria Madalena imitar a Jesus, pobre e humilde, dai-nos por sua intercessão que, fiéis à nossa vocação, possamos chegar até Vós pelos caminhos da verdade e da justiça. Por nosso Senhor.

 

Hino à Beata Maria Madalena Martinengo

07 27 maria madalena martinengo hino

A alma humilde participa da santidade de Deus

Do Tratado sobre a Humildade, de Beata Maria Madalena Martinengo

C. A. Lainati, Temi spirituali degli scritti del II Ordine Francescano, I, Assis 1970, 571 ss.

Deus, essencialmente santo, é a própria santidade, e parece que neste atributo mais glória tem e por ele mais quer ser louvado do que por qualquer outro. O que vemos dos Espíritos mais altos, os anjos, pois cantam sem cessar «Santo, Santo, Santo», e no vasto silêncio adoram a santidade de Deus e, batendo as asas, se inflamam em amá-l’O cada vez mais, confessando, de rosto velado, que se sentem absolutamente incapazes de compreender, amar ou glorificar essa santidade que, todavia, nunca desistem de louvar.

De modo semelhante procede a alma humilde, participante que é da santidade de Deus. Primeiro fixa os olhos na sacrossanta humanidade de Jesus Cristo, Deus e Homem, e, observando nela o sumo grau da mais eminente santidade, grava na alma a sua imagem, e se propõe interiormente imitá-l’O; e, cumprindo o seu propósito, interior e exteriormente se reforma segundo o modelo que é Jesus Cristo. Pondo diante dos olhos esse divino modelo, e esculpindo-o no coração, pouco a pouco se vai tornando santa, e, penetrando mais e mais e com olhar mais simples descobre ou contempla uma santidade que é sempre maior, e cada vez mais se inflama em a imitar. Por outro lado, sentindo-se como se fora nada, deixa-se a si mesma e a toda a imagem ou figura, e assim despojada de si fica submersa em Deus que a santifica com a sua própria santidade.

O próprio Deus deseja que alcancemos a mais alta santidade, como no-lo revelou, ao dizer-nos: «Sede santos, porque Eu sou santo». E Jesus, antes da sua paixão, olhos e mãos levantadas ao Pai, suplicava: «Pai santo, santifica-os de verdade». Anima-te, pois, alma minha, e afunda-te nesse pélago de santidade sem nunca mais de lá sair, para te santificares com a mesma santidade de Deus. Não posso concordar com aqueles que só têm louvores para os que se distinguem em determinada virtude, por exemplo na abstinência, na mansidão ou na prática constante da humildade. Na minha forma de pensar, julgo que tanto mais santa será uma alma quanto mais se esvaziar de si mesma, porque quanto mais se esvaziar de si mesma mais participará da santidade de Deus. De verdade, ó meu Deus, só Vós sois santo! Fazei-nos a todos santos, Senhor, destruindo em nós tudo o que se opõe à vossa santidade.

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