O Encontro Pascal de Mira deste ano de 2019 foi bem acrescentado com a homenagem ao Irmão S. Lourenço de Brindes. Sempre são 400 anos de vida sobre a sua morte em 1619, em Lisboa.

Grande dia esta Terça-feira de Páscoa que começou às 7 horas em Mira para irmos celebrar S. Lourenço de Brindes nos quatrocentos anos da sua morte em Lisboa!

Estas celebrações tinham que ser nestes dois lugares: igreja de S. Paulo, ao Cais de Sodré, e igreja de Santa Engrácia (também conhecida por igreja da Porciúncula e dos Barbadinhos).

Chegámos à igreja de S. Paulo pelas 10h30, onde nos esperava o seu pároco, Pe. Bernardo Xavier Félix. Depois de fraterna e ligeira saudação, colocou-se entre nós e serviu-nos as maravilhas da arte da sua igreja. Começou por lembrar que a igreja no tempo de Fr. Lourenço de Brindes foi destruída pelo terramoto de Lisboa em 1755 e ficava a 200 metros daqui, na atual praça de S. Paulo; esta onde estamos foi iniciada de raiz em 1768, sendo seu arquiteto Remígio de Abreu, inspirado no traçado do convento de Mafra. De duas torres sineiras e decorada no estilo rococó convidou a ver o altar-mor, capelas laterais, telas e, sobretudo, o teto. A ideia de profundidade pintado em perspetiva leva a confundir o real com a ficção.

Logo de seguida tomou a palavra o nosso guia, o Fr. Luís Leitão. Começou por lembrar que S. Lourenço de Brindes chegara a Lisboa por volta do dia 25 de maio e hospedou-se na casa dos Marqueses de Villafranca, dom Pedro de Toledo e seu filho Fradique, perto da atual igreja de S. Paulo. Em Lisboa reuniu pelo menos cinco vezes com o rei Filipe III onde lhe apresentou a causa dos napolitanos que eram queixas do abuso de poder do vice-rei Pedro Téllez-Girón; e a revolta daqueles povos tornava-se iminente. O Papa habituara-se às grandes qualidades do santo, e enviou-o em missão de diálogo e de paz junto de Filipe III, que era o senhor de meio mundo e também das terras napolitanas. Encontrava-se o rei então em Lisboa, pois gostava particularmente desta cidade onde podia avistar as naus e as tempestades. Entretanto o nosso santo é acometido por doença grave por volta do dia 23 de junho e morre pela tarde de 22 de julho, dia em que fazia 60 anos.

Tendo em conta a fama do nosso santo como sábio, exímio pregador e poliglota admirável, o seu corpo começou a ser disputado logo após a morte e a ser retalhado para guardarem os seus restos como relíquias. O Marquês de Villafranca entrou também na onda e, a coberto da noite, embalsamou o corpo como pôde e transportou os restos mortais do santo para o convento da Anunciada das Irmãs Clarissas em Villafranca del Bierzo, província de León, Espanha, onde teria uma sua filha professa.

E neste encontro habitual da Páscoa a maior parte dos Irmãos da Província dos capuchinhos celebrou a Eucaristia em honra de S. Lourenço de Brindes na igreja de S. Paulo, lugar próximo onde o santo há quatrocentos anos santo subiu para a casa do Pai.

O Fr. Luís Leitão, que tinha preparado a logística da homenagem em nome da Província fez, do princípio ao fim, de guia histórico e geográfico, conduzindo-nos ao almoço no restaurante “Taberna Santa Engrácia”, bem próximo da igreja de santa Engrácia. E a pé caminhámos para a igreja.

Ao entrar nesta igreja notava-se que o carisma dos Franciscanos Capuchinhos tinha estado ali. Antes de ser paróquia tinha sido convento dos Capuchinhos que aqui residiram de 1737 a 1834, data da expulsão das Ordens Religiosas. Neste lapso de tempo quase de um século, o convento dos Capuchinhos fazia de entreposto aos irmãos missionários que partiam e chegavam a terras de evangelização da África e da América, colónias portuguesas.

E às 15h30 entrámos nesta igreja que, ao primeiro olhar, se parecia a uma igreja Capuchinha.

E o Fr. Luís Leitão foi-nos dizendo que o orago desta igreja é Nossa Senhora da Porciúncula, que naquele nicho estava a estátua de S. Félix de Cantalício, aquela outra era a famosa estátua de S. Lourenço de Brindes, do Mestre Machado de Castro, que o sacrário era uma obra prima do estilo capuchinho, da rica madeira do Brasil, pau-preto, e em gravações delicadas e finas como se fora filigrana.

E tínhamos que fazer o regresso a Mira no autocarro que nos levou à Lisboa de S. Lourenço de Brindes, e nele subimos de regresso junto ao convento da Madre de Deus.

Fez-se manhã e tarde naquele dia pascal e de S. Lourenço de Brindes e todos vimos que tinha sido bom.

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