Neste artigo, frei Herculano Alves, apresenta uma síntese de quatro características que mostram como a Palavra de Deus constitui a verdadeira Fonte da Igreja.

O POVO DE DEUS DO ANTIGO TESTAMENTO, COMUNIDADE CONGREGADA PELA PALAVRA. Que a Igreja é essencialmente uma comunidade congregada pela Palavra de Deus é o mesmo que afirmar que é o Senhor quem chama cada crente a participar nos bens divinos. A comunidade do Povo de Deus do Antigo Testamento era chamada QAHAL e tinha como característica fundamental o chamamento de Deus dirigido aos crentes, pelos seus intermediários. A proclamação (qarah) e a escuta (shema') são dois elementos essenciais da dinâmica da Palavra.

JESUS E OS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO CONTINUARAM A COMUNIDADE DO ANTIGO O Novo Testamento continuou a dinâmica comunitária do Antigo. Por isso, para referir a nova Comunidade fundada por Jesus, é utilizado o termo que, na versão dos LXX, traduzia o termo hebraico Qahal. É a ecclesia, termo que vem de um outro que significa precisamente “chamar”, reunir: A Igreja poderia definir-se como “Assembleia dos convocados pela Palavra de Deus”.

A TRADIÇÃO DAS “PALAVRAS” DE JESUS CONSTITUI A BASE DOS ESCRITOS DO NOVO TESTAMENTO. Se o núcleo da nova Comunidade foi constituído pela convocação dos Doze, estes sentem-se depositários de uma Palavra que devem “entregar” às gerações futuras, numa “tradição” (traditio, entrega) contínua. O termo parádosis tornou-se um termo técnico, no Novo Testamento, para traduzir a premente obrigação de anunciar a todos os povos (Mt 28,19) a Palavra escutada dos lábios de Jesus.

A ORGANIZAÇÃO ECLESIAL NÃO É DE TIPO ESTRUTURAL MAS DE TIPO CARISMÁTICO A comunidade dos primeiros discípulos de Jesus reunia-se pela força da Palavra e do Espírito de Jesus. As comunidades dos Actos dos Apóstolos e das Cartas de Paulo são comunidades unidas por vínculos “espirituais”, pelo Espírito de Jesus. O autor dos Actos insiste na primazia da Palavra, em relação com os sacramentos que se lhe seguem (Act 2,11s, sobretudo 2,37.42-47). A este propósito, será bom lembrar as quatro notas fundamentais da Igreja referidas no mencionado texto. Nenhuma destas quatro notas é de tipo sociológico, mas carismático:

a) A assiduidade à Palavra aparece em primeiro lugar, a indicar que ela era o pilar principal, a base da Comunidade, a que merecia o primeiro lugar na ordem da importância. É ainda a insistência na comunidade cristã como “comunidade dos convocados pela Palavra”.

b) A segunda característica, a koinonia, termo grego de koinos (comum). Aparece nesse texto cinco vezes, como algo fundamental e prático, só para falar no primeiro texto (Act 2,42-47). Esta “união fraterna” da Comunidade não lhe vem de uma qualquer força exterior, mas do Espírito.

c) A terceira característica da Igreja, é ser uma comunidade de culto; esta está duplamente presente neste texto, pela fracção do pão e pela oração.

d) Mas tudo o que acabamos de dizer, a propósito das três primeiras características, desemboca, naturalmente, numa quarta característica da Igreja: o carácter missionário da Comunidade cristã.

 

PARA REFLECTIR: Qual a característica da minha vivência do cristianismo que mais tenho realçado? Segundo Act 2,42-47, qual é a primeira e a mais importante? A palavra de Deus leva-me a dar à minha vida cristã uma dimensão missionária?

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