Embora hoje se encontre em muitas outras regiões, a vinha é uma cultura mediterrânica. Por isso a Palestina é conhecida como terra de bom vinho pelo menos desde o ano 3000 a.C.. A videira aparece como a primeira árvore do novo mundo iniciado por Noé; é também a propósito de Noé que a Bíblia fala do vinho pela primeira vez (Gn 9,20-24). O facto de lhe ser atribuída a invenção do vinho, quer dizer que a vinha fazia parte da agricultura de Israel, tal como da Grécia, do Egito e de Roma. A cultura da vinha está em função do vinho e das suas diferentes utilizações: como antisséptico, nas feridas; como simples bebida ou como bebida alcoólica inebriante, que faz esquecer as tristezas da vida; e como símbolo de realidades espirituais. A vindima fazia-se a meados de Setembro e era motivo para grandes festas populares (Is 16,9-10; Jr 48,32-34). 

Ver o Símbolo do Vinho.

 

1. A FESTA DAS TENDAS OU DAS VINDIMAS

Em muitos povos antigos, o tempo das colheitas era ocasião para grandes alegrias, festejos e danças. Tais festejos tinham um carácter sagrado, porque a fecundidade dos campos e dos rebanhos era atribuída às divindades. Basta lembrar as festas em honra de Baco, versão romana do deus grego Dionísio, por altura das vindimas. Este era justamente considerado o deus do vinho e das festas, porque teria ensinado aos mortais a cultura da vinha.

Parece que, ao princípio, os hebreus não celebravam esta festa (ver Jz 21,19-23). Mas, nos primeiros tempos de Israel em Canaã já aparecem alusões a uma festa das colheitas e das vindimas (Jz 9,25-49). E, tal como aconteceu com as outras principais festas do calendário bíblico, também a festa cananeia das colheitas bem cedo foi adotada pelos israelitas, quando estes abandonaram a vida nómada de pastores e ocuparam as terras boas dos cananeus. Essa festa celebrava-se no fim do ano agrícola, que era também o fim do ano civil. O caráter festivo continuou em Israel na «festa anual do Senhor» (Jz 21,19):

«Celebrarás a festa das Tendas durante sete dias, quando recolheres os produtos da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás durante a festa, com os teus filhos, as tuas filhas, os teus servos, as tuas servas, com o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem dentro das portas da tua cidade. Festejarás esses sete dias em honra do Senhor, teu Deus, no santuário por Ele escolhido, pois o Senhor, teu Deus, abençoará todos os teus bens e toda a obra das tuas mãos. Faz a festa com alegria» (Dt 16,13-15).

Nesta época, a festa ainda tem um carácter agrícola, gira em torno dos «produtos da tua eira e do teu lagar», conserva o seu carácter alegre e festivo, mas celebra-se «em honra do Senhor». A “historicização” progressiva da festa das Colheitas vai fazer desaparecer o seu carácter agrícola, transformando-a em Festa das Tendas ou Festa das Cabanas (sukkot) ou Festa dos Tabernáculos.

O Livro do Levítico (23,33-43) já não fala sequer em produtos agrícolas, mas apenas nas tendas do deserto:

«Celebrareis esta festa de peregrinação em honra do Senhor, durante sete dias cada ano. Será uma lei perpétua para os vossos descendentes; fareis esta peregrinação no sétimo mês. Habitareis nas tendas durante sete dias; todos os que nasceram em Israel deverão habitar em tendas para que os vossos descendentes saibam que fiz habitar em tendas os filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egito. Eu, o Senhor, vosso Deus» (Lv 23,41-43).

Neste caso, ao contrário do que normalmente acontece, uma festa de tipo agrícola passou a ser uma festa de ritual nómada e pastoril, celebrando a peregrinação de Israel pelo deserto, em tendas.

 

2. A VIDEIRA, UMA PLANTA DO PARAÍSO

A videira e a vinha são, antes de mais, um bem material necessário à subsistência das pessoas. Um dos sonhos do povo de Israel, quando ainda vivia longe da Palestina, era ocupar uma terra onde corria o vinho e abundavam as uvas nas vinhas e nos lagares. Foi esta a informação que os enviados de Moisés lhe deram acerca de Canaã, depois de a explorarem (Nm 13,20-24; 2 Rs 18,31-32).

A vinha era, pois, símbolo de riqueza e de bênção concedida por Deus ao povo, uma vez que não se tratava de algo absolutamente necessário à sobrevivência da Humanidade:

«Eis que vêm dias – oráculo do Senhor –
em que o lavrador seguirá de perto o ceifeiro
e o que pisa os cachos seguirá o semeador.
Os montes destilarão mosto» (Am 9,13; ver 5,11; Gn 49,11-12).

Associada à figueira, a videira era ainda símbolo de paz e bem-estar (1 Rs 5,5).

O texto da vinha de Nabot, roubada por Acaz e Jezabel, prova a importância da vinha como algo precioso, não apenas em si mesmo, mas pelas ligações que mantinha com a terra herdada dos antepassados que, por sua vez, a tinham recebido de Deus: «Pelo Senhor! Seria um sacrilégio ceder-te a herança de meus pais» (1 Rs 21,3).

A vinha era plantada em terra própria e protegida por uma sebe contra o gado e os animais que a pudessem prejudicar (o javali: Sl 80,14; as raposas: Ct 2,15). A altura das videiras ia de dois a três metros; daí a expressão: «Sentar-se debaixo da sua vinha e da sua figueira» (1 Rs 5,5; Mq 4,4; Zc 3,10). Uma cabana ou uma pequena torre servia para os guardas a vigiarem (Jb 27,18; Is 1,8; 5,2; Mt 21,33).

O tempo das vindimas, em setembro-outubro, era tempo de alegria (Is 16,9-10; Jr 48,32-34). Um lagar preparado por cima de um rochedo, geralmente construído na própria vinha, servia para fazer o vinho: as uvas eram pisadas com os pés (Ne 13,15; Is 63,1-3; Jr 25,30-31; 48,33-34; Lm 1,15), e o mosto, antes de ser transformado em vinho, era guardado em jarros (Jr 13, 12) ou em odres de peles, embora estes não fossem o meio mais adequado para guardar o vinho durante muito tempo (1 Sm 16,20; Jb 32, 19; Mt 9,17 e par.). A videira não produzia apenas vinho; também se aproveitavam as uvas frescas e as uvas passas (1 Sm 25,18; 30,12) e faziam-se bolos de passas (2 Sm 6,19).

Desta perspetiva prática e económica da videira e da vinha na linguagem normal, passou-se, como noutros casos, para a sua utilização como símbolos de realidades espirituais. E como o vinho era considerado bebida de deuses, a cultura da vinha participava do simbolismo do vinho, como aparece no famoso apólogo de Jotam: «Disse-lhes a videira: “Irei eu renunciar ao meu mosto, que alegra os deuses e os homens, para me agitar sobre as árvores?”» (Jz 9,13; ver Dt 32,37-38).

Esta árvore idealizada pode estar no paraíso do início da Humanidade e poderá estar igualmente no fim: «Cada um repousará debaixo da sua parreira e da sua figueira, sem que ninguém o amedronte» (Mq 4,4; ver Zc 3,10). A Mishná (livro dos judeus) chega mesmo a afirmar que a «árvore da ciência do bem e do mal» que estava no paraíso (Gn 2,9.17) era uma videira; e na antiga Suméria, a folha da videira era o sinal da árvore da vida, que nunca morria.

A videira e a vinha tornam-se símbolos de realidades espirituais e aprazíveis. Assim, a videira é elemento de comparação para falar de uma mulher ideal: «A tua esposa será como videira fecunda / na intimidade do teu lar» (Sl 128,3).

A sabedoria é comparada a uma videira: «Eu, como a videira, fiz germinar graciosos sarmentos, / e as minhas flores dão frutos de glória e de riqueza» (Sir 24,17).

Pelo contrário, também o homem ímpio é visto como uma videira, cujos frutos caem e cujos ramos secam antes do tempo (Jb 15,32-33).

Para falar do vinho como símbolo do divino e da imortalidade, os monumentos funerários da antiguidade apresentam, frequentemente, figuras humanas rodeadas de parreiras com uvas.

 

3. A VINHA, SÍMBOLO DE ISRAEL, QUE DEUS AMA.

Porque a vinha era um sinal da bênção de Deus, a reflexão profética viu na vinha um ponto de partida para falar do povo de Israel como povo de Deus. A parábola da videira de Isaías é o mais belo exemplo disso. Destacamos a negro os termos referentes à videira e à vinha:

«Vou cantar em nome do meu amigo
o cântico do seu amor pela sua vinha:
Sobre uma fértil colina,
o meu amigo possuía uma vinha.
Cavou-a, tirou-lhe as pedras,
e plantou-a de bacelo escolhido.
Edificou-lhe uma torre de vigia,
e nela construiu um lagar.
Depois esperou que lhe desse boas uvas,
mas ela só produziu agraços.

“Agora, pois, habitantes de Jerusalém,
e vós, homens de Judá,
sede juízes, por favor, entre mim e a minha vinha.
Que mais poderia Eu fazer pela minha vinha,
que não tenha feito?
Porque é que, esperando Eu que desse boas uvas,
apenas produziu agraços?

Agora, pois, mostrar-vos-ei o que hei de fazer à minha vinha:
destruirei a vedação para que sirva de pasto,
e derrubar-lhe-ei a sebe para que seja pisada.
Deixá-la-ei deserta, não será podada nem cavada;
crescerão nela os espinhos e os abrolhos;
mandarei às nuvens que não derramem chuva sobre ela.”

A vinha do Senhor do universo é a casa de Israel;
os homens de Judá são a sua cepa predileta.
Esperou deles a justiça,
e eis que só há injustiça;
esperou a retidão,
e eis que só há lamentações.» (Is 5,1-7; ver 16,8-10; Os 10,1)

Um poema como este foi talvez composto na festa das vindimas, ou das Tendas, em que o poeta vê Israel como a vinha que dá vinho em grande quantidade. Mas Israel é uma vinha que não produz frutos, uma vinha estéril, embora não lhe tivessem faltado cuidados: foi cercada de carinho, como uma esposa, pelo seu dono, pelo seu Senhor; foi plantada de bacelo escolhido – isto é, Israel foi um povo escolhido e selecionado entre todos os povos para viver em aliança com o seu Senhor; por isso, devia produzir um vinho de qualidade superior, e não uma zurrapa qualquer.

A História de Israel é mesmo apresentada através das vicissitudes a que uma vinha está sujeita. Destacamos os termos próprios da vinha:

«Arrancaste uma videira do Egito,
expulsaste outros povos para a plantar.
Preparaste-lhe o terreno; ela foi deitando raízes
e acabou por encher toda a terra.
As montanhas cobriram-se com a sua sombra,
e os seus ramos ultrapassaram os altos cedros.
As suas ramagens estenderam-se até ao mar
e os seus rebentos, até ao rio.
Porque derrubaste os seus muros,
deixando que a vindimem quantos passam no caminho?
É devastada pelo javali da selva,
serve de pasto aos animais dos campos.

Ó Deus do universo, volta, por favor,
olha lá do céu e vê:
cuida desta vinha!
Trata da cepa que a tua mão direita plantou,
dos rebentos que fizeste crescer para nós.
Aqueles que a queimaram e devastaram
pereçam diante do furor do teu rosto.
Mas estende a tua mão sobre o teu escolhido,
sobre o homem que para ti fortaleceste.» (Sl 80,9-18)

Na primeira parte, o salmista lembra que Israel é uma videira plantada no Egito, arrancada e transplantada para a Terra Prometida; e venceu os povos que a ocupavam, povoando-a com os ramos das doze tribos – tudo cobrindo, desde o Mediterrâneo até ao rio Eufrates. Os muros desta vinha foram derrubados pelos diferentes conquistadores, que a devastaram como javalis da selva. Na segunda parte, o salmista lança um apelo veemente ao Senhor, para que volte a cuidar da sua vinha.

Um texto do Cântico dos Cânticos exprime esta relação amorosa entre Israel [a esposa-vinha] e o seu Deus [o esposo-agricultor]:

«madruguemos pelos vinhedos,
vejamos se as vides rebentam
e se abrem os seus botões [...].
Ali te darei as minhas carícias» (Ct 7,13; ver 7,9).

Jeremias, muito à semelhança de Isaías, exprime o mesmo simbolismo do povo:

«E Eu te plantei como vinha escolhida,
planta de boa qualidade.
Como degeneraste
em sarmento bastardo,
ó videira estranha?» (Jr 2,21; ver 5,10; 6,9).

É o drama religioso de Israel, povo amado por Deus, que responde com ingratidão. O tema, a que poderíamos chamar da videira estéril, aparece numa comparação semelhante de Ezequiel: Israel é uma videira que não dá fruto, nem sequer a lenha se lhe aproveita:

«Foi-me dirigida a palavra do Senhor, nestes termos:
“Filho de homem,
que vale a lenha da videira
mais do que qualquer outra
cortada nas árvores da floresta?
Porventura tira-se dela madeira
para fazer algum objeto?
Tira-se dela um cabide
para pendurar alguma coisa?
Eis que se lança no fogo,
a fim de ser consumido.
O fogo consome as duas extremidades;
e a parte central arde;
servirá para qualquer obra?
Eis que, quando estava intacta,
não servia para nada;
depois de o fogo a ter consumido e queimado,
poder-se-á fazer dela qualquer coisa?
É por isso que assim fala o Senhor Deus:
Como lenha da videira entre as árvores da floresta,
lançada ao fogo para ser consumida,
assim lançarei os habitantes de Jerusalém.”» (Ez 15,1-6; ver Jo 15,6).

São João, na sua alegoria da videira e dos ramos, acaba por desenvolver este mesmo tema (ver o ponto 6 do texto).

 

4. ISRAEL, A VINHA ARRANCADA

Com frequência, a vinha povo-de-Deus não é a culpada, mas os povos estrangeiros, que a destroem sem piedade:

«Numerosos pastores destruíram a minha vinha,
pisaram a minha propriedade
e transformaram a minha porção mais querida
num horrível deserto.
Tornaram-na uma desolação
e apresentaram-na diante de mim,
enlutada e devastada.
Desolada ficou toda a terra,
por não haver ninguém que reconsidere no seu coração.»
(Jr 12,10-11; ver Is 7,23-24; Ez 17,3-10).

Novamente Ezequiel utiliza o exemplo da videira para falar de Israel, videira «arrancada com violência»:

«A tua mãe era como videira no pomar,
plantada junto à água,
era fecunda e rica em sarmentos,
graças às águas abundantes.
Brotaram ramos fortes,
que se tornaram cetros de comando;
cresceu e elevou-se até tocar nas nuvens;
era admirada pela sua altura
e pela abundância dos seus ramos.
Mas ela foi arrancada com violência
e lançada por terra,
o vento leste secou-lhe os frutos,
ela foi partida,
os seus ramos poderosos secaram,
e o fogo tudo devorou.
Ei-la transportada para o deserto,
para o país seco e árido.
Saiu fogo do seu tronco
e devorou-lhe os ramos e os frutos» (Ez 19,10-14).

Aqui, a videira designa Judá: os seus ramos transformados em cetros reais aludem à dignidade régia da tribo de Judá, em especial ao rei Sedecias; o vento de leste (o poder da Assíria e da Babilónia) secou-lhe os frutos; depois foi transportada para o deserto (o rei foi levado para o Exílio); a dinastia e o povo vieram a sucumbir totalmente, porque o fogo tudo devorou.

 

5. A VINHA, SÍMBOLO DO REINO DE DEUS

Também neste assunto, Jesus seguiu a linguagem dos profetas, utilizando o símbolo da videira e da vinha para falar da atitude do Israel de então, relativamente ao seu projeto evangélico: Israel é uma vinha, cujos vinhateiros – os chefes do povo – não entregaram os frutos; é, portanto, uma vinha estéril, que não deu frutos. É o que nos diz a parábola dos vinhateiros homicidas:

«Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma.
Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: “Hão de respeitar o meu filho.” Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: “Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.” E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros? Eles responderam-lhe: “Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.”[...]. Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos» (Mt 21,33-43; ver 20,1-16; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19).

Aqui há quatro tipos de pessoas: o Pai, os servos (profetas), o Filho e os vinhateiros. A parábola exprime a relação entre eles, mas pretende falar sobretudo da responsabilidade dos vinhateiros.

Na boca de Jesus, esta parábola, cheia de precisões alegóricas, fala da destruição da vinha; na intenção de Mateus, também anda ligada à ideia do novo povo, novo Israel, e ao facto do Filho que deve morrer e ressuscitar: «O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.»

Na introdução, Jesus cita parte da parábola de Isaías (Is 5,2 grego), salientando o amor do proprietário pela sua vinha. Mateus sublinha que é necessário entregar os frutos da vinha, e não apenas uma parte dos mesmos; e assim destaca, mais que nos profetas, as exigências do novo Reino. Como a vinha designa o Reino de Deus, os vinhateiros representam o conjunto do povo de Israel, sobretudo os seus responsáveis.

Outra parábola sobre a vinha, para explicar o Reino de Deus, é a dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16). Dirige-se contra os fariseus e pretende mostrar que a bondade de Deus é a sua justiça, ultrapassando os critérios humanos da retribuição pelo trabalho na vinha.

 

6. A VIDEIRA, SÍMBOLO DE JESUS E DOS DISCÍPULOS

No Evangelho de João, o símbolo da videira é portador de um outro simbolismo: Jesus é a videira. Toda a alegoria pretende exprimir a relação entre três tipos de pessoas: o Pai (o agricultor), Jesus (a videira) e os discípulos (os ramos da videira):

«Eu sou mesmo a videira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós.
Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim.
Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem.
Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos» (Jo 15,1-8).

Nesta alegoria, Jesus apresenta-se como a fonte da seiva que dá a vida aos ramos, isto é, a todos os que se reclamam seus discípulos. A energia, a vida divina vem do Pai, através dele, para todos nós. A parábola é uma chamada à responsabilidade: precisamos de viver unidos à Videira/Jesus, como condição para termos a sua verdadeira vida; pois os ramos secos só servem para queimar, como já disse Ez 15,2.6.

Um texto simbólico do Apocalipse exprime ainda melhor as consequências desta falta de responsabilidade da vinha, ou antes, de todas as “videiras” do Reino de Deus: «E, do altar, saiu ainda outro anjo, o que tem poder sobre o fogo. E gritou ao anjo que tinha a foice afiada: “Manda a tua foice afiada e vindima os cachos da vinha da terra; porque as uvas já estão maduras.” O anjo lançou a foice à terra, vindimou a vinha da terra e lançou as uvas no grande lagar da ira de Deus. O lagar das uvas foi pisado fora da cidade e do lagar saiu tanto sangue que chegava aos freios dos cavalos num raio de umas sessenta léguas» (Ap 14,18-20).

Nesta linguagem simbólica encontramos as imagens da ceifa e das vindimas, como símbolos do juízo final, escatológico de Deus sobre a Vinha – a Humanidade. O vinho, símbolo do sangue, é derramado «no lagar das uvas, fora da cidade de Jerusalém», isto é, no lugar onde o julgamento da Humanidade era situado pela tradição.

Assim, a videira e a vinha também simbolizam a seriedade e responsabilidade com que deve ser vivida a vida cristã. Mas todo o ser humano está chamado a viver como videira responsável, que dá fruto, de modo a ser fonte de vinho – isto é, de alegria – para quantos vindimam os seus cachos.

 

PARA REFLETIR

1. A videira só tem valor quando dá uvas para comer e vinho para beber.
É o símbolo da vida de cada pessoa, que só tem sentido quando se dá aos outros. Que valor tem a minha vida para os outros? Será que vivo apenas para mim próprio?
2. A vinha é o símbolo por excelência do Reino de Deus. Mas uma vinha é feita de muitas videiras. Cada uma exerce a sua função na vinha. Tenho consciência da minha vocação e missão na sociedade e na Igreja?

 

PARA CELEBRAR

1. Ambientação: um ramo de videira, cachos de uva, uma raiz, etc. em cima da Mesa da Palavra. Uma frase-cartaz, a propósito.
2. O Animador chama a atenção para a relação entre a Palavra e a Videira.
3. Um cântico apropriado…
4. Proclamar/partilhar alguns destes Textos bíblicos acerca da Vinha:

• A vinha era uma das plantas mais correntes da Terra Santa. Alusões à festa das vindimas: Ex 23,14-16; Lv 23,41-43; Nm 13,20-24; Dt 16,16-17; Jz 9,25-49.
• A vinha, símbolo de Israel, a quem Deus ama: Is 5,1-7; Sl 80,9-18.
• Israel, vinha arrancada por estranhos: Is 7,23-24; Jr 12,10-11; Ez 17,3-10; 19,10-14.
• Amor com que o Senhor trabalha a sua vinha: Ct 7,13; Jr 2,21.
• Videira estéril: Ez 15,1-6; Jo 15,1-16.
• Vinha, símbolo do Reino de Deus: Mt 20,1-16; 21,33-43; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19.
• A videira, símbolo de Jesus: Jo 15,1-16.

5. Compromisso de maior participação no Reino e um cântico apropriado.

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