Leituras: 1ª: Gn 2,18-24. Salmo 128 /127,1-2.3.4-5.6. R/ O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida. 2ª: Heb 2,9-11. Evº: Mc 10,2-16. III Semana do Saltério

1. A uma pergunta própria de quem se contenta com a letra da lei: «Pode um homem repudiar a sua mulher?» Jesus contrapõe com a comunhão de vida, a fidelidade, o sonho.

Uma união marcada pelo domínio do homem sobre a mulher ou a descoberta de um no outro e com o outro de um sentido mais profundo para as suas vidas, numa aliança de amor?

A vida a dois passada ou a vida a dois vivida?

A pergunta dos fariseus é uma pergunta patriarcal, uma pergunta de poder, de domínio do homem sobre a mulher. Ao invés, a resposta de Jesus devolve-nos o sentido original do casamento: «O homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne». Assim vivido, o casamento já não é lei. É carne, é união, é comunhão.

A lei dada por Moisés, que permitia que se passasse um certificado de divórcio, era um mal necessário para proteger a mulher; mas era lei. Lei «por causa da dureza do vosso coração». Lei despida de coração e de carne.

Pelo contrário, todo o matrimónio vivido em fidelidade é Palavra de Deus encarnada, o que tem muito mais de Dom e de Graça do que de lei.

E todos nós vivemos ou conhecemos casamentos felizes, famílias felizes. Penso na minha família, por exemplo, onde pais, filhos e netos nos amamos e gostamos de estar juntos, de partilhar a vida.

Mas temos de reconhecer que, por vezes, pelas mais diversas razões, aquilo que deveria ser sinal da presença amorosa de Deus e do Reino dos Céus, se torna sinal de inferno, de uma vida impossível a dois, de engano e desilusão. Estes casais precisam da nossa amizade e oração e não do nosso olhar de condenação. E por vezes os filhos, quando os há, tornam-se o único elemento vivo de um amor morto e, também por isso, merecem a melhor atenção da Igreja.

2. Na segunda parte do evangelho de hoje, Jesus diz que o Reino de Deus é dos que são como as crianças, dos que recebem o Reino como Dom e não como conquista pessoal. Os discípulos – com a mesma mentalidade patriarcal dos seus pais – impediam as crianças de se aproximarem de Jesus, não lhes davam valor, criavam à volta do Mestre um espaço acessível apenas àqueles que eles quisessem. Por isso, Jesus indignou-se com eles.

Ele abraça, abençoa e impõe as mãos às crianças. Não impõe as mãos aos poderosos e aos sábios, transmitindo-lhes o seu poder, mas às crianças a quem coloca no centro do seu ministério como sinal do Reino, responsabilidade e tarefa.

3. Na paróquia de Laleia, Timor-Leste, onde trabalhei até julho de 2017, procuramos colaborar para a formação integral das crianças através de uma visão de conjunto que dá enorme atenção à saúde da mãe ainda antes do parto e depois do parto e da criança ao longo do seu desenvolvimento através de programas de saúde e de educação para a saúde; aos quatro anos a criança entra no centro de educação pré-escolar e, aos sete, no ATL e na catequese. Corpo, intelecto, espírito.

E em Portugal? Muitos dos hospitais católicos e antigas ordens foram vendidos. Muitos colégios católicos estão a atravessar dificuldades. Acompanhamos as crianças 1 ou 2 horas por semana, cada vez mais remetidos à sacristia e à sala de catequese. Estar com aqueles que o Senhor coloca no centro do seu ministério apenas 1 ou 2 horas por semana? Isso fará sentido? O que fazer para mudar esta situação? A resposta não pode ser dada apenas pela “hierarquia da Igreja”. Cada família terá de pensar muito bem no que quer para os seus filhos e qual deverá ser o papel da Igreja na sua educação.

4. Em março de 2015, participei numa semana de formação para responsáveis Capuchinhos da Ásia-Pacífico que se realizou na Papua Nova Guiné. Além de irmãos deste país, participaram irmãos das Filipinas, Indonésia, Tailândia, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Malásia e Timor-Leste, representado por mim. A preocupação de todos, apesar de as suas comunidades ainda não terem sido atingidas pelo flagelo da pedofilia, era que cada comunidade e cada paróquia tivessem um plano muito sério para a proteção de menores e adultos vulneráveis. Chegado à Europa, não vejo a mesma preocupação. O Papa Francisco tem razões para estar apreensivo!

5. No passado dia 1 de outubro iniciamos o Ano Missionário. Vale a pena conhecer a carta dos bispos portugueses: “Todos, Tudo e Sempre em Missão”.

6. No passado dia 3 teve início o Sínodo dos Bispos sob o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O Sínodo pode ser acompanhado no portal da Agência Ecclesia em: http://www.agencia.ecclesia.pt/portal/sinodo2018/

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