O 3 de julho é um dia particular no calendário capuchinho, pois é a data da Bula Pontifícia “Religionis Zelus” (3 de julho de 1528), com a qual foi aprovada a reforma capuchinha há 491 anos. Nesse dia, a cada ano, recordamos a identidade da nossa Família Capuchinha e o vínculo espiritual que nos une com uma centena de Institutos de Vida Consagrada que se sentem parte desta história. Por isso, por volta do dia 3 de julho de cada ano, nós nos encontraremos para:

  • Agradecer a Deus na oração comum ou em uma Celebração Eucarística pelos dons recebidos pela nossa família espiritual e para fazer memória dos nossos Fundadores;
  • Partilhar fraternalmente o diálogo com uma refeição fraterna (café da manhã, lanche ou almoço), evidenciando a nossa identidade de irmãos e irmãs e comunicando a nossa realidade atual;
  • Programar alguns simples passos para intensificar as nossas relações, propondo a nossa colaboração ou informando nossos projetos.

Cada convento, cada fraternidade, cada lugar concreto é o espaço no qual dar vida a esta simples iniciativa para manter vivo o dom de sermos família, adaptando-se às diversas realidades, buscando até uma data mais apropriada, se necessário, porém sintonizando-se na mesma frequência de comunhão e de reciprocidade.

Neste ano de 2019, a proposta temática nos leva a fazer memória do VIII centenário do encontro entre São Francisco e o Sultão, juntamente com a recordação do III centenário da morte de São Lourenço de Brindes, para aprofundar o tema do diálogo intercultural, na partilha das experiências e inspirações.

 

Um percurso de comunhão

Em 31 de janeiro de 2016, no encerramento do ano da vida consagrada, aconteceu o primeiro encontro dos Superiores Gerais ou seus delegados, em Roma, na Cúria Geral dos Capuchinhos. Então demos graças a Deus pela nossa história comum, que também hoje nos ajuda, na relação fraterna, a viver o presente com paixão e força carismática, e a abraçar o futuro com esperança.

Participaram com interesse as congregações presentes em Roma ou na Itália, as Irmãs Terciárias Capuchinhas da Sagrada Família, os Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores, as Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, as Irmãs Missionárias Franciscanas do Verbo Encarnado, as Irmãs Capuchinhas do Sagrado Coração.

No fim do ano da vida consagrada, quisemos reforçar o laço que une a nossa Ordem Capuchinha aos numerosos institutos religiosos, leigos religiosos e consagrados, cultivando o senso de família; buscamos também tornar possível o conhecimento da realidade e a projeção dos nossos Institutos; e encontrar e unir potencialmente a nossa formação, missionária e no campo da justiça, da paz e a partilha de novas iniciativas.

Daquele encontro, nasceu a ideia de determinar um dia anual para fazer memória da nossa pertença comum. Na sessão do Conselho Geral em março de 2016, foi aprovada a iniciativa de celebrar o “Dia da Família Capuchinha”, por volta de 3 de julho, em toda a Ordem, uma vez no ano, e incluída no calendário oficial a partir de 2017. A iniciativa foi comunicada a todos os membros da nossa família com uma carta de 15 de março de 2016.

Em 3 de julho de 2017, em coincidência com o curso dos novos Ministros Provinciais, celebrou-se em Frascati o Primeiro Dia da Família Capuchinha. Em nível de Superiores Gerais e seus delegados, encontramo-nos em Frascati, em nosso convento, representando assim toda a nossa família espiritual. Foi escrita então uma carta a todos os Provinciais e aos Superiores Gerais para celebrar o dia em nível local.

Pela manhã, após as apresentações, com a presença do Vice-Secretário Geral da Formação Fr. Jaime Rey, foi proposta uma conferência sobre o tema: “A unidade dos franciscanos e a reforma capuchinha: a memória da Bula ‘Ite vos’, rumo à celebração do V centenário da reforma capuchinha”. Partindo da concepção da unidade como “poliedro” (cf. Papa Francesco, Evangelii Gaudium 236), na busca de uma comunhão na diversidade e no respeito pela particularidade de cada realidade, recupera-se a razão do nosso ser família espiritual. Nesta concepção, há uma antropologia cristã e franciscana, que se pôs em evidência com diversos pontos.

Com a bela presença dos novos ministros em Frascati nessa semana, celebramos a Santa Missa, presidida pelo Ministro Geral, para agradecer a Deus pelo dom da nossa particular corrente de renovação dentro da grande família franciscana. O Evangelho próprio da festa de São Tomé deu o tom à reflexão e o vínculo com a característica profundamente contemplativa e apostólica dos primeiros capuchinhos.

O almoço festivo foi uma belíssima ocasião de encontro fraterno, de partilha simples. Pela tarde, continuando a nossa reunião, falou-se de dois grandes eventos franciscanos desse ano: o Capítulo Generalíssimo dos Franciscanos da Úmbria e o Congresso sobre a unidade da Família Franciscana da Escola Superior de Estudos Franciscanos de Madri.

Em seguida, cada congregação ilustrou com grande simplicidade, como entre irmãos e irmãs, a realidade do próprio instituto e o principal trabalho que hoje está desenvolvendo. Falou-se de reestruturação das circunscrições, de programa formativo de renovação espiritual, do grande desafio da interculturalidade, e também dos problemas que não faltam.

Por último, abriu-se a possibilidade de partilhar espaços próprios, animados pelo secretariado da formação, com irmãs e irmãos da nossa família. Concretamente, o programa de formação dos formadores para a África para o próximo ano, e o curso de formação permanente de visita aos lugares franciscanos.

O II Dia da Família Capuchinha ocorreu no âmbito particular do Capítulo Geral das Irmãs Capuchinhas do Sagrado Coração, em sua Cúria Generalícia em Roma, em 3 de julho de 2018. Elas abriram seu espaço “sagrado” da máxima autoridade do governo do Instituto, em meio aos trabalhos sobre as suas Constituições, para acolher-nos, e fazer nos sentirmos família.

O tema escolhido foi: “Para vinho novo, odres novos: os desafios da formação”, de maneira a favorecer entre nós a partilha sobre os desafios atuais da Formação inicial e permanente dentro de cada Instituto: preocupações e respostas institucionais, tentativas nestes últimos anos, em vista de coletar sugestões para abrir estradas de colaboração.

Com uma bela e numerosa participação, a manhã se desenvolveu na partilha do caminho formativo de cada Instituto, em base às inspirações do documento da CIVCSVA “Para vinho novo, odres novos. A vida consagrada desde o Concilio Vaticano II e os desafios ainda em aberto” (6 de janeiro de 2017). Fr. Jaime Rey, Vice-Secretário Geral da Formação, apresentou o trabalho da Ratio formationis, que a Ordem Capuchinha propõe ao Capítulo Geral. Muito interessante a partilha dos itinerários, especialmente aqueles de formação permanente para os diversos momentos da vida consagrada.

Ao meio-dia, celebramos a Santa Missa, presidida por Fr. Sergio Dal Moro, Conselheiro Geral e responsável pelo acompanhamento da formação. E, depois, partilhamos um almoço festivo. Um dia para agradecer, partilhar, programar passos futuros. Um dia simples, mas em movimento, para continuar o nosso caminho em comunhão.

Neste ano de 2019, a proposta temática nos leva a fazer memória do VIII centenário do encontro entre São Francisco e o Sultão, juntamente com a recordação do III centenário da morte de São Lourenço de Bríndisi, para aprofundar o tema do diálogo intercultural, na partilha das experiências e inspirações. Os Superiores Gerais e seus delegados e os membros das casas generalícias são convocados em nosso Colégio Internacional de Roma.

 

Oração pelo Dia da Família Capuchinha

ACENDEI EM NÓS O FOGO

Ó Espírito Santo,
enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei em nós aquele mesmo fogo,
que ardia no coração de Jesus,
enquanto ele falava do reino de Deus,
enquanto anunciava a todos a boa nova:
“Ao vosso Pai aprouve dar-vos o seu reino…
todos vós sois irmãos!”

Fazei que este fogo seja transmitido a nós,
como foi transmitido a Francisco e Clara,
como foi aceso nos primeiros capuchinhos,
como inflamaram de ardor os fundadores e as fundadoras
da nossa família espiritual.

Só vós, Espírito Santo,
podeis acendê-lo,
e a vós, portanto, voltamos a nossa fraqueza,
a nossa pobreza, o nosso coração apagado,
para que vós o reacendais com o calor,
com a santidade da vida, com a força do reino.

Dai-nos, Espírito Santo,
de modo novo, o Carisma
para ser acolhido em nossa vida concreta,
para pô-lo a serviço da Igreja,
para restitui-lo aos pobres, aos últimos.

Nós vos pedimos
pela intercessão de Maria, mãe de Jesus,
cheia de graça e comunhão,
modelo da Igreja servidora e fraterna. Amém.

(Adaptação de uma oração do Card. Carlo M. Martini)

Agenda

Mais lidos

  • Semana

  • Mês

  • Todos