Por ocasião da visita do Papa Francisco à Roménia, damos a conhecer a presença e o trabalho que os frades capuchinhos desenvolvem nesse país.

Os primeiros frades capuchinhos chegaram ao território da atual Roménia em 1725. Provinham da Província da Áustria, chamados pelo bispo católico da cidade de Oradea. Nesta cidade, construíram uma igreja dedicada à “Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria” e um convento, que se viria a tornar um centro de irradiação da presença dos Capuchinhos na região, onde, em seguida, fundaram cinco outros conventos. O de Oradea durará até a supressão comunista de 1948 e a morte do último frade capuchinho, que permaneceu no lugar como sacerdote diocesano, em 1974.

Uma outra presença histórica dos Capuchinhos é a de Constança (antigo porto na margem ocidental do Mar Negro), onde, em 1860, se tinha estabelecido uma parte dos capuchinhos expulsos da Geórgia pelo exército czarista. A esses frades, fora confiada uma paróquia, aberta pelas autoridades eclesiásticas para assistir os numerosos operários italianos e alemães que trabalhavam na modernização do porto, decidida pelas autoridades turcas. Após a guerra russo-turca de 1878, a região de Constança passou a fazer parte da Roménia, e as autoridades eclesiásticas decidiram confiar o cuidado pastoral da zona aos passionistas; assim, os frades capuchinhos, depois de 18 anos, retiraram-se para outros conventos da Ordem presentes na Bulgária.

A beatificação do frade capuchinho Jeremias de Valáquia (1556-1625), por São João Paulo II em 30 de outubro de 1983, foi a ocasião para que os frades regressassem à Roménia. Então, Bispo de Iaşi, Dom Petru Gherghel, pediu ao Ministro Geral, Fr. Flavio Roberto Carraro, que enviasse um grupo de frades para iniciar e difundir a espiritualidade franciscano-capuchinha na sua Diocese, da qual provinha o novo Beato, o primeiro da história da Igreja Católica romena. O Ministro Geral, assim, encaminhou a solicitação à Província de Nápoles, onde o Bem-aventurado tinha vivido. O convite foi acolhido e os primeiros dois frades, Fr. Ubaldo Oliviero e Fr. Vittorio Clemente, chegaram à Roménia nos primeiros dias de setembro de 1992 e estabeleceram-se na cidade de Oneşti, onde já se encontrava presente um outro confrade, Fr. Mario Querini, da Província de Roma, para aí desempenhar um apostolado ecuménico e onde um outro devoto entusiasta do Beato Jeremias, Pe. Eduard Sechel, pároco do lugar, já tinha iniciado a construção de um santuário dedicado ao nosso Beato.

O dia 24 de setembro de 1992 é a data oficial do início da nova presença capuchinha na Roménia. Assim que chegaram, os frades lançaram-se ao trabalho e, em 30 de outubro do mesmo ano, abriram um seminário liceal (funcionando até o presente). Em 1995, ao lado do Santuário em construção, foi iniciada a construção do primeiro Convento, inaugurado em 2000, que é a sede da Custódia e do Seminário, que se tornou o atual Liceu Católico, aberto a todos os jovens da zona, católicos ou de outras confissões, especialmente a ortodoxa.

Com o passar do tempo, a presença capuchinha foi-se desenvolvendo com a abertura de novos conventos: Borzeşti – postulantado (atualmente fechado), Nehoiu – noviciado (hoje restituído à Diocese de Bucareste, sendo também paróquia), Roman – pós-noviciado.

Criadas as estruturas para a formação in loco para os jovens aspirantes, o Ministro Geral à época, Fr. John Corriveau, erigiu oficialmente a Custódia da Roménia em 8 de maio de 2005 e nomeou Fr. Ubaldo Oliviero como primeiro Custódio, que fez seu o desejo dos católicos romenos de ter, na Roménia, as relíquias do Beato Jeremias. Partindo de Nápoles em 8 de maio de 2008, os restos mortais tão desejados, após uma peregrinação triunfal pelo território da Roménia, chegaram a Oneşti em 31 de maio e foram depositados na Cripta do Santuário, evento honrado pela presença de tantos bispos, sacerdotes, frades, pessoas consagradas e uma grande multidão de fiéis.

Durante o 1º Capítulo eletivo do mesmo ano de 2008, foi eleito o primeiro Custódio romeno, na pessoa de Fr. Leon Budau (reeleito em 2011). Sucessivamente, foram abertos outros conventos: Sighetu Marmaţiei e Târgu Lăpuş (na parte setentrional do país, de rito bizantino) e Slobozia (na Diocese de Bucareste).

Atualmente (no final de 2018), os frades da Custódia vivem e desenvolvem o seu apostolado em 5 conventos:

Oneşti. Aqui, a fraternidade é composta de 11 frades, que realizam seu serviço na cúria custodial, na pastoral do santuário, como professores na escola e nos acampamentos de férias, no serviço aos pobres (refeitório e banheiros sociais), atividade ecuménica, assistência à OFS.

Roman. Esta fraternidade é composta de 13 frades, dos quais 10 são estudantes. Além da sua principal atividade, os frades prestam auxílio na paróquia e onde for pedida a sua presença, também nos grupos de apoio para crianças e jovens de instituições (antigos orfanatos), acampamentos de férias, assistência à OFS, etc. Além disso, uma parte do convento foi reformada recentemente para acolher jovens de instituições que, uma vez alcançada a maioridade, já não podem permanecer nas estruturas públicas e que buscam um trabalho, ter um futuro e uma família. Este ano, em 24 de junho, 5 dos nossos confrades diáconos serão ordenados presbíteros pelo Bispo Diocesano, Dom Petru Gherghel.

Slobozia. É uma fraternidade de 3 frades. A sua principal atividade é a pastoral paroquial na pequena comunidade católica da cidade. Além disso, administram outra comunidade, a cerca de 60 km de distância.

Sighetu Marmaţiei. Também nesta comunidade há 3 frades. A principal atividade dos frades é o oratório, onde os jovens membros frequentam para estudar, jogar, rezar, estar juntos e ajudar jovens como eles, menos favorecidos, especialmente provenientes dos antigos orfanatos da cidade. Com o passar do tempo, à volta dos frades cresceu um belo grupo de voluntários que os auxiliam nas suas várias atividades nesse campo. Além disso, os frades prestam o seu serviço na paróquia local de rito bizantino e, onde forem solicitados, garantem a assistência espiritual às religiosas, administram os banheiros sociais da cidade e assistem a OFS.

A cidade de Sighetu é um dos símbolos da perseguição a que foi submetida a Igreja Católica romena de ambos os ritos: nas prisões do lugar, foram encarcerados a elite da Roménia, eclesiásticos e personalidades da vida política e social. Aí morreram, nos anos 1950-1955, quatro bispos encarcerados por causa da sua fé; um deles, o Bem-aventurado Anton Durcovici, foi Bispo de Iaşi; outros 3, os bispos greco-católicos Valeriu Traian Frentiu, Ioan Suciu e Tit Liviu Chinezu, serão beatificados, juntamente com outros 4 bispos greco-católicos, em 2 de junho próximo pelo Papa Francisco, na conclusão da sua visita à Roménia.

Târgu Lăpuş. Aqui estão presentes 2 frades. A sua principal atividade é o auxílio à paróquia local de rito bizantino e o testemunho de vida, a direção espiritual dos fiéis que se dirigem como penitentes ao “mosteiro” (na espiritualidade oriental, os mosteiros ocupam um lugar especial na devoção dos fiéis, por isso, também o nosso “mosteiro” surgiu fora da cidade, um pouco como os primeiros conventos “da bela e santa reforma” capuchinha).

Além dos frades que vivem e trabalham na Roménia, outros frades da Custódia desempenham o seu apostolado auxiliando nas várias circunscrições da Ordem: nas casas dependentes da Cúria Geral (5 frades: Instituto Histórico, Nª Sª da Consolação, Frascati, Loreto), na Província-mãe de Nápoles (5 frades, mais outros 5 que optaram, no momento da instauração da Custódia, por ali se incardinar), 2 na Província da Emília Romana, 1 na Delegação da Grécia e um outro na Delegação da Turquia. Justamente nestes meses (março-maio de 2019) um outro frade faz uma experiência missionária na Custódia de Moçambique.

O nosso carisma específico (além daquele geral de todos os filhos de São Francisco) é o ecumenismo, que se funda também no evento histórico da redescoberta da figura, da mensagem e, enfim, também dos restos mortais do Beato Beato Jeremias de Valáquia.

Na aurora do século passado, nos anos 1905 a 1915, a existência de um frade capuchinho romeno foi trazida à luz e dada a conhecer nos ambientes académicos por dois professores ortodoxos, George Sion e Nicolae Iorga. Um sacerdote greco-católico, Ioan Balan (futuro bispo e mártir, que será beatificado em 2 de junho próximo pelo Santo Padre Francisco), escreveu uma sua biografia divulgadora, muito conhecida e apreciada no período entreguerras, Un sfant pribeag roman (Um santo peregrino romeno); o Bispo greco-católico de Oradea, Valeriu Traian Frentiu (mártir, será beatificado junto com os outros 6 bispos pelo Santo Padre em 2 de junho), aprovou o culto público do Servo de Deus, Jeremias, na sua Eparquia em 1926; sempre no período entreguerras e também logo após a última guerra, todo o corpo dos bispos greco-católicos pediu à Santa Sé e ao Ministro Geral dos Capuchinhos da altura, Fr. Clemente de Milwaukee, a repatriação das veneráveis relíquias, “para também ter um santo romeno”, como motivavam sua solicitação, porém ninguém mais conhecia o lugar da sepultura; finalmente, em 1947, um outro erudito ortodoxo, Grigore Manoilescu, descobriu a tumba, mas as condições históricas impediram a repatriação das relíquias.

Como se pode notar, a nossa abertura ecuménica liga-nos a um duplo viés: filhos de São Francisco e herdeiros do Beato Jeremias de Valáquia, e a beatificação dos 7 bispos mártires obriga-nos a não esquecer ou negligenciar o nosso carisma ecuménico, ainda que os obstáculos pareçam aumentar nos últimos tempos.

O convite do Papa a “caminhar juntos” (o lema da visita) é mais atual do que nunca para nós, frades capuchinhos romenos.

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