O Domingo e primeiro dia do mês de Julho de 2018, ficará para sempre gravado naquela multidão imensa que demandou o Mosteiro dos Jerónimos, Igreja de Nossa Senhora de Belém, a fim de participar na celebração, onde foram ordenados sete sacerdotes e um diácono. Dia de festa para o Patriarcado de Lisboa e, em particular, para a família dos Franciscanos Capuchinhos, pela admissão à Ordem dos Presbíteros do nosso Frei Pedro Cândido Ferreira Gomes de Sousa, natural de Lisboa, nascido na freguesia de São Cristóvão e São Lourenço, lá para os lados da Sé Patriarcal e, por esse motivo, um alfacinha de gema.

Pelas quatro horas da tarde, sob os olhares desta jóia da arquitectura manuelina, imponente pela sua beleza e suavidade, que zelosamente acolhe os que “passaram ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana”, como bem alto imortalizou Luís de Camões, ali de mãos dadas com Vasco da Gama, D. Manuel I, D. João III, Cardeal-Rei D. Henrique e até Fernando Pessoa, começa a movimentar-se rumo à Capela-mor, a extensa procissão com centenas de participantes e concelebrantes.

Por entre uma impressionante moldura humana, que acolhia o cortejo litúrgico processional, todos embebidos pelo cântico “Eu cuidarei das minhas ovelhas, diz o Senhor!”, magistralmente entoado por um bem volumoso e artístico Grupo Coral, era visível que a mesma multidão detinha a sua particular atenção nos oito ordinandos, vindos de Portugal, Itália, Colômbia, Indonésia e Filipinas, idiossincrasia reveladora de mais um sinal da universalidade da Igreja. Eles, jubilosos e serenos, caminhavam pela nave dos eleitos, quais novas jóias, artífices ou arquitectos da “Nova Jerusalém”. Finalmente, com a chegada da procissão ao altar-mor, deu-se início ao excelso acto sagrado com a saudação do Presidente, D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, seguindo-se as várias etapas previstas no cerimonial das ordenações.

“«- Quem tocou nas minhas vestes?» A pergunta de Jesus ressoa agora, nesta Missa de Ordenações, com a mesma força com que soou então. Podemos dizer que é exactamente por isso que estamos hoje aqui, a começar pelos que vão ser ordenados” – começou por referir o Presidente da celebração no momento da sua homilia. E olhando para os candidatos, prosseguiu: “Encontramos nesta magnífica página evangélica o essencial do que é a presença de Cristo e de como havemos de assinalá-la nós, o corpo eclesial em que se quer manifestar ao mundo. Vós, muito especialmente, caríssimos ordinandos, que representareis pelo sacramento da Ordem aqueles três discípulos que O acompanhavam de mais perto: Pedro, Tiago e João sois agora vós.” Sublinhou que evangelizar é “deixarmos que através de nós Jesus continue a atravessar este mundo cheio de muita gente, muitas dores e também esperanças. Deixarmos que, precisamente assim, Jesus cuide dos outros, em relações verdadeiramente pessoais e interpessoais que curem e salvem. Onde pode haver pressa e urgência, mas nunca se ultrapassa ou descarta quem quer que apareça e em nenhum momento da vida, sobretudo a mais frágil no corpo ou no espírito.” E recordou qual é a missão destes discípulos próximos de Jesus Criso: “No que é próprio do ministério ordenado, sê-lo-eis pelos outros e sê-lo-eis para os outros. Graças são encargos, um talento é uma responsabilidade e cada carisma serve o bem de todos.”

D. Manuel Clemente concluiu a sua belíssima intervenção, invocando Aquela que dá o nome a este templo: “A Mãe de Jesus vos acompanhará, pois é esse por excelência o seu modo de ser e de estar. Atenta a Deus e atenta aos outros, da Anunciação à Visitação e do Presépio à Cruz, ensinar-vos-á que é no acolhimento e no serviço que acontecem as maravilhas de Deus.”

De forma solene e orante, D. Manuel Clemente procedeu depois ao rito da ordenação presbiteral, num ambiente de profunda espiritualidade, passando, entre outras etapas, pela ladainha, com os ordinandos prostrados em sinal da sua total entrega a Deus; pela imposição das mãos do Cardeal Patriarca sobre a sua cabeça, seguido por todos os presbíteros; pela paramentação da estola sacerdotal e da casula, e pela unção das mãos… e as congratulações que os novos ordinandos receberam, em clima de profunda e jubilosa alegria, do Cardeal Patriarca, presbíteros e dos mais próximos. No final, foi entregue uma estampa, como recordação deste memorável dia.

Marcaram presença neste acto sagrado, por parte do Fr. Pedro Cândido, a sua mãe, D. Rosalina da Purificação, a sua irmã, e uma sobrinha (que não se viam há quatro décadas), muitos Irmãos Capuchinhos, entre os quais o Ministro Provincial, Fr. Fernando Alberto Pedrosa, e os que vieram das várias fraternidades, com destaque para os pós-noviços, e ainda muitos leigos, particularmente ligados às nossas casas, sobretudo da Paróquia da Sagrada Família de Calhariz de Benfica, que não quiseram perder esta singular efeméride. Em Lisboa, haverá uma “Missa Nova”, na Basílica da Estrela (dia 8 de Julho, às 16 horas) e na Paróquia da Sagrada Família de Calhariz de Benfica (dia 15 de Julho, às 12 horas).

Está de parabéns o Fr. Pedro Cândido (tem-se dedicado, nestes últimos anos, além do trabalho pastoral, ao ofício de Professor de Ensino Especial) e a Província dos Capuchinhos de Portugal por ver mais um dos seus filhos ser chamado a servir mais de perto o Bom Pastor que é Jesus Cristo, e o Povo de Deus.

Como há quinhentos anos fizeram os portugueses, lançando-se nas águas com as flamulas nos topes dos mastros rumo a um novo destino, epopeia ali lavrada e esculpida nas pedras deste Mosteiro dos Jerónimos, são agora enviados estes novos navegantes aos “mares” apinhados de gente, embarcados na Fé e, como os ancestrais, ancorados na graça de Deus e sempre revestidos com o manto da humildade, anunciando e servindo Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Em honra de São Francisco e de Santa Clara de Assis. Ámen.

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