Encontro de Irmãos e Fraternidades do "Projeto Europa"

O encontro do “Projeto Europa” estava marcado para os dias 2 a 6 de maio, em Barcelona. Partilhamos aqui o "diário" na primeira pessoa do frei Hermano Filipe, irmão da província portuguesa dos Capuchinhos, e que foi um dos participantes neste encontro europeu.

 

Diário 

Dia 2, quarta-feira

Esperava-me, no aeroporto, o frei Josep Manuel Vallejo, irmão da Província que acolheu o encontro e um dos responsáveis pela logística do mesmo. Do aeroporto seguimos para a fraternidade de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, onde também se situa a Cúria Provincial, a tempo de rezar com os irmãos da fraternidade a oração da Hora Intermédia, a que se seguiu o almoço, preparado e servido pelos irmãos.

De tarde desci a pé, com o frei Felipe, natural da Colômbia mas membro desta província, até ao convento da Mãe de Deus da Ajuda, onde iria dormir nos dias seguintes, uma viagem de cerca de dois quilómetros que nos dias seguintes haveria de se repetir muitas vezes a pé e de autocarro.

Os 24 participantes “estrangeiros” no encontro ficaram alojados em cinco conventos diferentes: Arenys de Mar, Ajuda, Pompeia, Igualada e Sarrià. A cada um foram entregues senhas de autocarro para as deslocações entre o convento onde cada um estava alojado e Pompeia, onde todos almoçávamos e jantávamos e onde tínhamos as principais reuniões. Andar a pé e de autocarro, como os pobres da cidade, foi a opção pela menoridade feita em consciência pela Organização do encontro e pelos participantes, incluindo diversos Ministros Provinciais e Conselheiros Gerais.

Ao final do dia 2, voltei a descer de Pompeia para a Ajuda a pé, passando pela Praça da Catalunha para esperar três irmãos que iriam chegar entretanto e que também iriam ficar no convento da Ajuda. À chegada a casa, todos cansados, um pouco de pão barrado com azeite e tomate foi o jantar, antes da oração da noite e do descanso.

 

Dia 3, quinta-feira

Levantamos-nos muito cedo para tomarmos o pequeno-almoço e prepararmos o dia. Depois, às 8h00, rezamos a oração de Laudes, a que se seguiu um tempo de meditação até às 9h00, hora em que celebramos a Santa Missa, em língua catalã, na igreja no rés-do-chão do prédio antigo onde se situa a fraternidade, numa zona antiga e movimentada da cidade.

No caminho para Pompeia fizemos um desvio para uma visita rápida à basílica da Sagrada Família.

Às 12h00 tivemos uma reunião que pensávamos ser a primeira de muitas, mas estava-nos reservada uma surpresa: este encontro do “Projeto Europa” foi pensado para ser uma missão pelas ruas da cidade e não como um tempo de formação intelectual.

Rezamos a oração da Hora Intermédia e almoçamos. Mais uma vez preparado e servido pelos frades à imagem das fraternidades do "projeto Europa" que procuram reservar para os irmãos os trabalhos domésticos, tais como a roupa, a limpeza do convento ou a cozinha, fazendo assim a experiência mais verdadeira de uma "Igreja pobre e para os pobres".

Às 16h00 montamos um stand na Praça da Catalunha, de onde saímos dois a dois pelas ruas do centro da cidade, de hábito vestido, cumprimentando as pessoas, e convidando-as a participar nos diversos tempos de oração previstos no programa. O meu companheiro foi o frei Federico, natural de Itália, mas atualmente a viver na fraternidade de León, que pertence ao conjunto das fraternidades do “Projeto Europa”, e que se dedica neste momento ao acolhimento de peregrinos.

A Oração de Vésperas e o jantar foram em Pompeia, o jantar muito frugal, como convém aos pobres. Depois o nosso grupo regressou à Ajuda para descansar.

 

Dia 4, sexta-feira

Saímos da Ajuda para Pompeia às 7h00 onde nos encontramos com os outros irmãos para seguirmos, de autocarro, para Montserrat, onde celebramos a Eucaristia e depois reunimos numa sala preparada pelos irmãos Beneditinos que cuidam daquele santuário.

Regressamos a Pompeia onde almoçamos às 14h00 indo logo de seguida, novamente, para a Praça da Catalunha.

Às 19h30 fizemos um piquenique no velhinho convento da Ajuda. Uma sande de atum, água e sumos foram o "combustível" para aguentar o programa que nos esperava nessa noite.

Às 21h00, começou uma vigília de oração na Igreja de Sant Jeume, ali perto, onde se destacou a veneração da relíquia ("capa" ou "manto") de São Francisco. Cerca de uma hora depois saímos em procissão pelas ruas da cidade, parando em frente à Basílica confiada ao cuidado da Comunidade de Sant'Egidio que se uniu a nós num tempo de oração franciscana por eles preparada. Dali, sempre debaixo de chuva, seguimos em direção ao Paço Episcopal, onde fomos recebidos pelo Cardeal Arcebispo Dom Joan-Josep Omella, gesto que nos fez recordar o acolhimento do Bispo de Assis a São Francisco. Dali seguimos em procissão, com cânticos e de velas acesas, para a Igreja de Sant'Ana, que é um verdadeiro "hospital de campanha" pois para além do culto público, funciona como "centro de dia" para os sem abrigo e os mais pobres da cidade.

O regresso a casa fez-se já perto da uma hora da manhã.

 

Dia 5, sábado

Depois de rezarmos a Oração de Laudes, celebramos a Eucaristia, em Pompeia. Após um tempo de veneração da relíquia de São Francisco, houve uma reunião das "Fraternidades para a Europa", a que se seguiu o almoço, às 14h00. Nesta tarde, o stand foi montado nos jardins de Salvador Espriu / Av Diagonal, voltando os irmãos a ir dois a dois pelas ruas da cidade, desta vez convidando as pessoas a participarem na vigília de oração prevista para essa noite em Pompeia e que começou às 21h00, destacando-se a pregação feita por um irmão Capuchinho de Malta.

 

Dia 6, domingo

Tomamos o pequeno-almoço em Ajuda e, de seguida, o autocarro para Pompeia onde rezamos a Oração de Laudes na cripta da Igreja. Seguiu-se um encontro de avaliação da "Missão de Barcelona". Às 12h30 a Eucaristia, em língua espanhola, foi presidida pelo Vigário-Geral da nossa Ordem, frei Stefan Kozuh.

Regressei a Portugal ao final da tarde, de coração cheio e o ideal Capuchinho renovado.

 

Alguns destaques desta "missão":

  • A presença de irmãos de muitos países da Europa ou de outros países mas a viver na Europa: Espanha, Portugal, França, Bélgica, Itália continental, Sardenha, Sicília, Irlanda, Polónia, Eslovénia, Malta, Índia e Paquistão.
  • A média de idades, mesmo entre os Ministros Provinciais, de cerca de 40 anos; muitos deles responsáveis de províncias muito envelhecidas mas que se recusam a deixar morrer o carisma franciscano-capuchinho.
  • O estilo de vida Capuchinho: uso de transportes públicos dentro da cidade, oração, convívio, comida muito simples, "anúncio" feito dois a dois e trabalho doméstico feito pelos frades, a que os irmãos mais idosos, os Ministros Provinciais e os Conselheiros Gerais não fugiram.
  • A experiência de evangelização pelas ruas da cidade, o contacto com as pessoas, as que nos recebiam e as que não nos recebiam.

 

Algumas frases para meditarmos:

  • "Nós os Capuchinhos somos pregadores e pastores formidáveis, mas tantas vezes incapazes de 'ler' que o que a Igreja mais precisa hoje é de pescadores, que vão às periferias da sociedade anunciar o Senhor com o testemunho de vida" (frei Pio Murat, Conselheiro Geral)
  • "Sem deixarmos de rezar por novas vocações, devemos ganhar consciência que a vitalidade do carisma Capuchinho na Europa dependerá sobretudo da capacidade dos irmãos atuais em renovar-se" (frei Pio Murat, Conselheiro Geral)
  • "Durante séculos, a estrutura organizacional da nossa Ordem estava virada numa única direção: crescimento! Atualmente estamos a desaparecer das principais cidades europeias, não só pela falta de vocações, mas pela falta de estratégias e de uma visão global das províncias" (frei Antonio Belpiede, Procurador Geral da Ordem)
Encontro de Irmãos e Fraternidades do

Encontro de Irmãos e Fraternidades do "Projeto Europa"

O encontro do “Projeto Europa” estava marcado para os dias 2 a 6 de maio, em Barcelona. Partilhamos aqui o "diário" na primeira pessoa do frei Hermano Filipe, irmão da província portuguesa dos Capuchinhos, e que foi um dos participantes neste encontro europeu.

 

Diário 

Dia 2, quarta-feira

Esperava-me, no aeroporto, o frei Josep Manuel Vallejo, irmão da Província que acolheu o encontro e um dos responsáveis pela logística do mesmo. Do aeroporto seguimos para a fraternidade de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, onde também se situa a Cúria Provincial, a tempo de rezar com os irmãos da fraternidade a oração da Hora Intermédia, a que se seguiu o almoço, preparado e servido pelos irmãos.

De tarde desci a pé, com o frei Felipe, natural da Colômbia mas membro desta província, até ao convento da Mãe de Deus da Ajuda, onde iria dormir nos dias seguintes, uma viagem de cerca de dois quilómetros que nos dias seguintes haveria de se repetir muitas vezes a pé e de autocarro.

Os 24 participantes “estrangeiros” no encontro ficaram alojados em cinco conventos diferentes: Arenys de Mar, Ajuda, Pompeia, Igualada e Sarrià. A cada um foram entregues senhas de autocarro para as deslocações entre o convento onde cada um estava alojado e Pompeia, onde todos almoçávamos e jantávamos e onde tínhamos as principais reuniões. Andar a pé e de autocarro, como os pobres da cidade, foi a opção pela menoridade feita em consciência pela Organização do encontro e pelos participantes, incluindo diversos Ministros Provinciais e Conselheiros Gerais.

Ao final do dia 2, voltei a descer de Pompeia para a Ajuda a pé, passando pela Praça da Catalunha para esperar três irmãos que iriam chegar entretanto e que também iriam ficar no convento da Ajuda. À chegada a casa, todos cansados, um pouco de pão barrado com azeite e tomate foi o jantar, antes da oração da noite e do descanso.

 

Dia 3, quinta-feira

Levantamos-nos muito cedo para tomarmos o pequeno-almoço e prepararmos o dia. Depois, às 8h00, rezamos a oração de Laudes, a que se seguiu um tempo de meditação até às 9h00, hora em que celebramos a Santa Missa, em língua catalã, na igreja no rés-do-chão do prédio antigo onde se situa a fraternidade, numa zona antiga e movimentada da cidade.

No caminho para Pompeia fizemos um desvio para uma visita rápida à basílica da Sagrada Família.

Às 12h00 tivemos uma reunião que pensávamos ser a primeira de muitas, mas estava-nos reservada uma surpresa: este encontro do “Projeto Europa” foi pensado para ser uma missão pelas ruas da cidade e não como um tempo de formação intelectual.

Rezamos a oração da Hora Intermédia e almoçamos. Mais uma vez preparado e servido pelos frades à imagem das fraternidades do "projeto Europa" que procuram reservar para os irmãos os trabalhos domésticos, tais como a roupa, a limpeza do convento ou a cozinha, fazendo assim a experiência mais verdadeira de uma "Igreja pobre e para os pobres".

Às 16h00 montamos um stand na Praça da Catalunha, de onde saímos dois a dois pelas ruas do centro da cidade, de hábito vestido, cumprimentando as pessoas, e convidando-as a participar nos diversos tempos de oração previstos no programa. O meu companheiro foi o frei Federico, natural de Itália, mas atualmente a viver na fraternidade de León, que pertence ao conjunto das fraternidades do “Projeto Europa”, e que se dedica neste momento ao acolhimento de peregrinos.

A Oração de Vésperas e o jantar foram em Pompeia, o jantar muito frugal, como convém aos pobres. Depois o nosso grupo regressou à Ajuda para descansar.

 

Dia 4, sexta-feira

Saímos da Ajuda para Pompeia às 7h00 onde nos encontramos com os outros irmãos para seguirmos, de autocarro, para Montserrat, onde celebramos a Eucaristia e depois reunimos numa sala preparada pelos irmãos Beneditinos que cuidam daquele santuário.

Regressamos a Pompeia onde almoçamos às 14h00 indo logo de seguida, novamente, para a Praça da Catalunha.

Às 19h30 fizemos um piquenique no velhinho convento da Ajuda. Uma sande de atum, água e sumos foram o "combustível" para aguentar o programa que nos esperava nessa noite.

Às 21h00, começou uma vigília de oração na Igreja de Sant Jeume, ali perto, onde se destacou a veneração da relíquia ("capa" ou "manto") de São Francisco. Cerca de uma hora depois saímos em procissão pelas ruas da cidade, parando em frente à Basílica confiada ao cuidado da Comunidade de Sant'Egidio que se uniu a nós num tempo de oração franciscana por eles preparada. Dali, sempre debaixo de chuva, seguimos em direção ao Paço Episcopal, onde fomos recebidos pelo Cardeal Arcebispo Dom Joan-Josep Omella, gesto que nos fez recordar o acolhimento do Bispo de Assis a São Francisco. Dali seguimos em procissão, com cânticos e de velas acesas, para a Igreja de Sant'Ana, que é um verdadeiro "hospital de campanha" pois para além do culto público, funciona como "centro de dia" para os sem abrigo e os mais pobres da cidade.

O regresso a casa fez-se já perto da uma hora da manhã.

 

Dia 5, sábado

Depois de rezarmos a Oração de Laudes, celebramos a Eucaristia, em Pompeia. Após um tempo de veneração da relíquia de São Francisco, houve uma reunião das "Fraternidades para a Europa", a que se seguiu o almoço, às 14h00. Nesta tarde, o stand foi montado nos jardins de Salvador Espriu / Av Diagonal, voltando os irmãos a ir dois a dois pelas ruas da cidade, desta vez convidando as pessoas a participarem na vigília de oração prevista para essa noite em Pompeia e que começou às 21h00, destacando-se a pregação feita por um irmão Capuchinho de Malta.

 

Dia 6, domingo

Tomamos o pequeno-almoço em Ajuda e, de seguida, o autocarro para Pompeia onde rezamos a Oração de Laudes na cripta da Igreja. Seguiu-se um encontro de avaliação da "Missão de Barcelona". Às 12h30 a Eucaristia, em língua espanhola, foi presidida pelo Vigário-Geral da nossa Ordem, frei Stefan Kozuh.

Regressei a Portugal ao final da tarde, de coração cheio e o ideal Capuchinho renovado.

 

Alguns destaques desta "missão":

  • A presença de irmãos de muitos países da Europa ou de outros países mas a viver na Europa: Espanha, Portugal, França, Bélgica, Itália continental, Sardenha, Sicília, Irlanda, Polónia, Eslovénia, Malta, Índia e Paquistão.
  • A média de idades, mesmo entre os Ministros Provinciais, de cerca de 40 anos; muitos deles responsáveis de províncias muito envelhecidas mas que se recusam a deixar morrer o carisma franciscano-capuchinho.
  • O estilo de vida Capuchinho: uso de transportes públicos dentro da cidade, oração, convívio, comida muito simples, "anúncio" feito dois a dois e trabalho doméstico feito pelos frades, a que os irmãos mais idosos, os Ministros Provinciais e os Conselheiros Gerais não fugiram.
  • A experiência de evangelização pelas ruas da cidade, o contacto com as pessoas, as que nos recebiam e as que não nos recebiam.

 

Algumas frases para meditarmos:

  • "Nós os Capuchinhos somos pregadores e pastores formidáveis, mas tantas vezes incapazes de 'ler' que o que a Igreja mais precisa hoje é de pescadores, que vão às periferias da sociedade anunciar o Senhor com o testemunho de vida" (frei Pio Murat, Conselheiro Geral)
  • "Sem deixarmos de rezar por novas vocações, devemos ganhar consciência que a vitalidade do carisma Capuchinho na Europa dependerá sobretudo da capacidade dos irmãos atuais em renovar-se" (frei Pio Murat, Conselheiro Geral)
  • "Durante séculos, a estrutura organizacional da nossa Ordem estava virada numa única direção: crescimento! Atualmente estamos a desaparecer das principais cidades europeias, não só pela falta de vocações, mas pela falta de estratégias e de uma visão global das províncias" (frei Antonio Belpiede, Procurador Geral da Ordem)

Últimas notícias

Mais lidos

  • Semana

  • Mês

  • Todos