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São Francisco de Assis

Com Francisco de Assis rezamos: "Pai Nosso"

Com Francisco de Assis

rezamos: “Pai Nosso”

A oração do “Pai-nosso”, ensinada por Jesus, é uma síntese e modelo de todas as nossas orações. De alguma forma, com base na paráfrase de s. Francisco ao Pai-Nosso também podemos reconstituir toda a sua vida e os valores da sua espiritualidade.

Irmão Francisco de Assis:

Perseguido pelo teu pai,

devolveste-lhe as roupas e o dinheiro 

e renunciaste aos bens familiares diante do teu Bispo,

dizendo: «Até agora, chamei-te meu pai, aqui na terra;

de hoje em diante poderei dizer livremente:

“Pai Nosso, que estás no céu”.

Pois a Ele confiei todo o meu tesouro

e nele depositei toda a minha confiança.»[i] 

Dá-nos o teu coração livre, para rezar:

R/ Pai nosso que estás no Céu.

Irmão Francisco de Assis:

Marcado pelo sofrimento, e quase cego,[ii]

no teu Cântico do Irmão Sol soubeste cantar

o nome do «Altíssimo, omnipotente e bom Senhor»

e reconheceste-o em todas as criaturas.[iii]  

Dá-nos o teu coração de jogral, para rezar:

R/ Pai nosso, santificado seja o teu nome.

 

Irmão Francisco de Assis:

Depois de sonhares ser armado cavaleiro

e participar em batalhas,

escolheste o Senhor em vez de correr atrás do servo;[iv]

tornaste-te o “arauto do Grande Rei”,

gritando a toda a gente:

“O amor não é amado! O Amor não é amado!”;[v]

e fundaste uma Ordem de Irmãos para iniciar, no mundo,

outra forma de ser e de estar

por amor do Reino dos Céus.

Dá-nos o teu coração de cavaleiro, para rezar:

R/ Pai nosso, venha a nós o teu Reino.

 

Irmão Francisco de Assis:

Embora sentindo-te inspirado pelo Espírito de Deus

para seguir a tua vocação de pobreza,

de paz e menoridade,[vi]

não te dispensaste de auscultar a vontade de Deus

na sua Palavra, no conselho dos irmãos e do Papa;[vii]

renunciaste ao ofício de Geral da Ordem

e pediste um guardião,

estando disposto a obedecer ao último noviço.[viii]

Dá-nos o teu coração de servo, para rezar:

R/ Pai nosso, seja feita a tua vontade

    assim na terra como no céu.

 

Irmão Francisco de Assis:

Sendo filho de um rico mercador,

quiseste desposar a Senhora Pobreza na tua vida.[ix] 

«Em todos os pobres vias o Filho da Senhora pobre»[x]

e envergonhavas-te vendo alguém mais pobre do que tu.[xi]

Inspiraste as Damas Pobres de São Damião

e a Ordem Terceira.

Exortaste os teus confrades a trabalhar

para ganharem o sustento,

e a só pedirem esmola quando não lhes dessem salário.[xii]

E, antes de morrer, repartiste um pão entre todos

como sinal de amizade e pensando no gesto do Senhor,[xiii]

por cujo Corpo tinhas tanta devoção.[xiv]  

Dá-nos o teu coração pobre e solidário, para rezar:

R/ Pai nosso, dá-nos hoje

    o nosso pão de cada dia.

 

Irmão Francisco de Assis:

Nas ruas e nas pregações, saudavas o povo, dizendo:

«O Senhor te dê a paz.»[xv]

No teu Cântico das Criaturas, louvaste o Senhor

«por aqueles que perdoam» por seu amor;[xvi]

e, vendo o Bispo e o Podestá de Assis desavindos,

acrescentaste-lhe uma estrofe sobre o perdão,

e enviaste os frades a cantá-la,

para eles fazerem as pazes.[xvii]

Dá-nos o teu coração fraterno e pacífico, para rezar:

R/ Pai nosso, perdoa-nos as nossas ofensas,

    como nós perdoamos aos que nos ofenderam.

 

Irmão Francisco de Assis:

Ao sentires, um dia, grande tentação,

flagelaste com dureza o teu corpo;

rolaste, nu, sobre a neve

e atiraste-te sobre um espinheiro.[xviii]

Para não seres induzido ao mal,

pensavas nos teus defeitos,

e obrigaste, uma vez, Frei Leão

a repreender-te por eles.[xix]

Dá-nos o teu coração casto e simples, para rezar:

R/ Pai nosso, não nos deixes cair em tentação,

mas livra-nos do mal.


 


Os livros referidos nas notas seguintes encontram-se em Fontes Franciscanas-I, São Francisco de Assis – Escritos, Biografias, Documentos, Editorial Franciscana, Braga 1982, 1363 págs.

 

[i] Legenda Maior 4; 2 Celano 12.

[ii] Legenda Perusina 43.

[iii] Cântico das Criaturas 1.3; 2Celano 165-171; Legenda Perusina  51.

[iv] 2Celano 6.

[v] Legenda Maior 5.

[vi] Testamento de S. Francisco 14.

[vii] Legenda Maior 3.9-10.

[viii] 2Celano 151; Legenda Perusina 106-107.

[ix] 1Celano 7; 2Celano 55. 

[x] 2Celano 83.

[xi] Legenda Perusina 88.

[xii] Três Companheiros 20-22.

[xiii] Legenda Perusina 117.

[xiv] CGP 6; CO 12-14; 1 e 2 CCt; T 10.

[xv] Três Companheiros 26.

[xvi] Cântico das Criaturas 10.

[xvii] Legenda Perusina 44.                                                             

[xviii] 2Celano 116.

[xix] Florinhas IX.

 

 

frei Lopes Morgado

 

 
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