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Humanismo
Franciscano e Ecologia
É evidente que não vou tratar aqui
do HUMANISMO como doutrina dos humanistas do Renascimento, nem
vou tratar da Ecologia como tratado do meio ambiente.
Aqui entende-se por Humanismo
Franciscano a visão do homem e da mulher inspirados em S.
Francisco e em Sta. Clara. Entende-se por Ecologia a
visão e as atitudes dos franciscanos no relacionamento com a
Irmã Mãe Natureza.
Segundo José António Merino (José
António Merino, Vision Franciscana de la Vida Quotidiana,
Ediciones Paulinas, Madrid - 1986), em quem me inspirei para
preparar esta conferência, poderemos sintetizar em 7 pontos a
maneira como o homem, ao longo da história, se relaciona com o
mundo: PÂNICO. ASSOMBRO. RESPEITO. RACIONALIZAÇÃO. DESENCANTO.
EXPLORAÇÃO e finalmente REDESCOBERTA de que o mundo é a nossa
CASA.
Neste trabalho tratarei de ver
como deve ser o nosso relacionamento e comportamento com a Irmã
Mãe Natureza, tendo em conta a nossa visão e a nossa experiência
franciscana do que é ser homem.
Como nos foi sugerido dividirei em
três pontos a nossa reflexão:
- O homem como relação.
- O homem e o seu corpo.
- O homem e a natureza.
1. O homem como relação
A visão franciscana do homem é
certamente original, comparada com as diversas interpretações
humanistas ao longo da história.
Francisco foi e propôs um novo
tipo de homem a partir da sua original experiência de Deus e do
modo original de tratar com todos os seres.
Francisco foi um homem
estruturalmente "simpático" a Deus, a todos os outros homens e a
todas as criaturas.
Podemos dizer que a "simpatia" por
tudo é a primeira nota constitutiva do homem Francisco, de
espírito aberto e fraterno, que vive convive com tudo e com
todos.
Francisco é um especialista da
arte de viver, pois consegue fazer a experiência de todas as
formas de vida desde o nascimento até a morte. Ele nasce, sente,
vive, ama, trabalha e morre em comunhão com Deus, com os homens
e com o universo.
Ele não fica a ver a procissão
dos seres a passar, mas vemo-lo totalmente imerso no mais
íntimo da vida de toda a criação, em marcha. Ele sintoniza, ele
está em simpatia com todas as expressões ou formas de ser,
pensar e de viver.
A sua experiência de humanista
está profundamente marcada pela PRESENÇA DE DEUS, que ele vê em
tudo e em todos. Estremece de ternura, de admiração e de espanto
ao surpreender em si e nos acontecimentos, na história, nos
homens e em todas as coisas animadas ou inanimadas, sensíveis ou
insensíveis, a PRESENÇA encantadora do maravilhoso Criador.
O homem não é rival dos homens nem
dos seres da criação. É um irmão universal. Devido à sua
estrutura ontológica e psicológica de simpatia por tudo e todos,
e à sua abertura à PRESENÇA TOTAL, Francisco é e propõe um
projecto de homem como um SER EM RELAÇÃO: em relação dinâmica
com Deus, com os irmãos, com os demais homens, com os seres
irracionais e a própria vida.
Para S. Boaventura e Duns Escoto,
os teólogos franciscanos que melhor souberam traduzir, em
pensamento, a forma de ser de Francisco, a relação é um
constitutivo essencial da pessoa.
No Humanismo Franciscano, a pessoa
humana é um ser para outrem. É como um som que soa e ressoa em
reciprocidade com todos os outros sons.
Nesta relação vital, em que entram
todas as vivências do espírito e do corpo, vencemse todos os
egoísmos e distanciamentos.
Sendo assim estruturalmente
relacionado, o homem franciscano, a exemplo de S. Francisco, é
um HOMEM CONFIANTE. Nunca pode desconfiar de ninguém e de nada.
Se tudo quanto é mundano, humano e divino está em consonância
com o homem, este não pode suspeitar mal de ninguém, nem fugir
seja de quem for ou do que for.
E como a confiança é sempre
recíproca, há, entre o homem e a mulher franciscanos e os demais
seres, uma verdadeira partilha de confiança.
A confiança profunda e sem
reticências traz consigo uma necessidade e um desejo de
ENCONTRO.
Tudo e todos se encontram em S.
Francisco: Deus e toda a criação (homens e mulheres e habitantes
do céu, da terra e do mar).
E para que este encontro seja
sempre renovado, Francisco lança-se numa busca constante de
novos horizontes cósmicos, humanos e divinos. Francisco avança
de surpresa em surpresa, até à Beleza Infinita.
Nada é estranho ao Humanismo
Franciscano. Tudo lhe fala de afecto e de amizade.
Por isso no Humanismo Franciscano
não pode faltar a gratidão por tantos e tantos dons.
Desde o encontro consigo mesmo até
ao encontro com o Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor, Francisco
vai experimentando todos os outros encontros desde os mais
insignificantes, como o das pedras do caminho, até aos mais
extasiantes, na estigmatização do Alverne.
No seu Itinerário para
Deus, o Humanismo Franciscano celebra com alegria a festa de
todos os encontros com todas as criaturas, que são outros tantos
degraus para subir à montanha do Senhor.
E dado que estes encontros do
Humanismo Franciscano são radicalmente sinceros e plenos de
verdade, têm forçosamente de desabrochar em ACOLHIMENTO.
Por isso Francisco acolhe, com
júbilo e gratidão, a revelação do amor de Deus e da amizade das
criaturas. «Acolhe os socialmente enfermos, os ladrões, os
salteadores, os leprosos, os pobres, os poderosos, os
irrelevantes. Acolhe a criação inteira, não apenas com
sentimentos de poeta, mas com entranhada amizade fraterna».
Acolhe tudo e todos, mas acolhe
sobretudo os que não são acolhidos, assume as misérias humanas
para as transformar.
A sensibilidade e o acolhimento
franciscanos, podem transformar, como diz António Merino "o
universo do temor num universo de aproximação exultante".
A consequência de todo este
Humanismo Franciscano, no que se refere à Ecologia, é evidente:
uma "irmanação universal".
O Humanismo Franciscano torna-se
fraternidade cósmica e universal. A cortesia do Humanismo
Franciscano, tão proverbial entre os homens, transforma-se
também ela em cortesia cósmica e em afabilidade para com todas
as coisas. Para o Humanismo Franciscano todos os outros seres se
revestem, de algum modo, da dignidade de pessoas. Não se pode
estragar, ferir, ofender, conspurcar ou esbanjar nada, porque
tudo faz parte do nosso ser humano.
O ser humano, homem e mulher, tem
de encontrar uma nova forma de existir e de habitar num mundo
mais humanizado e familiar.
É urgente que nos revistamos de
grande respeito e de extasiante admiração por todos os seres
nossos irmãos. Antes de os conhecermos já os amámos, porque são
parte integrante da nossa vida e componente necessária do nosso
projecto de felicidade.
2. O Homem e o seu Corpo
O tema do corpo continua ainda
hoje a ser um enigma incompreensível para o homem.
Há quem o deprima e rebaixe à
condição de "pesada mochila" que a alma tem de suportar, e quem
o exalte a ponto de o identificar com o "eu" humano, onde não há
lugar para o espírito.
Na história do pensamento sempre
assistimos ao DUALISMO irredutível entre o espírito e a matéria.
O corpo é matéria e a alma é espírito, de modo que o corpo e a
alma estiveram sempre em conflito.
No franciscanismo, o tema do corpo
também não está definitivamente elaborado. Quando os escritores
não franciscanos aludem ao tema do corpo em S. Francisco, não
vão muito mais além do que uma simples referência genérica ao
«irmão corpo» e ao "irmão asno".
No entanto, entrando em cheio nos
Escritos de S. Francisco, a visão do corpo aparece-nos revestida
de certa novidade e surpresa.
É verdade que S. Francisco não
disse muito acerca do corpo e o que disse tem de ser enquadrado
na visão optimista de toda a criação.
No Capítulo 23 da I Regra, S.
Francisco alude à criação do homem como imagem e semelhança
de Deus, segundo a Visão Bíblica do Génesis.
Mas é na Exortação V, onde aparece
a visão mais bela e positiva do corpo. Diz S. Francisco: «ó
homem, considera a quanta grandeza o Senhor te levantou, pois te
criou dando-te um corpo à Imagem do Seu Filho Dilecto, e
dando-te um espírito à sua própria Semelhança. (Gén. 1,26)
Se o homem é Semelhança de
Deus, deve-o ao espírito, e se é Imagem de Deus, deve-o
ao corpo. Mas o corpo deve a sua dignidade de imagem de Deus por
ser Imagem do Corpo de Cristo. Cristo é que é o modelo e a
referência do homem, também no tocante ao corpo.
A dignidade do corpo humano, para
S. Francisco, não se reduz a um conteúdo físicobiológico. Mais:
o corpo humano, criado à imagem do Filho, é para S. Francisco a
memória e a recordação do corpo que a Palavra do Pai assumiu na
Encarnação. A verdade humana do corpo assenta na verdade
teológica do Corpo de Cristo.
A grandeza do homem também se
encontra no seu Corpo. A humanidade de Cristo revela a
humanidade do homem. Como a Paixão de Cristo foi o modelo da
paixão e das chagas do serafim do Alverne. S. Francisco não só
se distancia dos hereges Cátaros, mas até de alguns grandes
teólogos, como Santo Agostinho, uns e outros negativos e
pessimistas em relação ao corpo.
Os textos dos Escritos de S.
Francisco que denotam um sentido negativo acerca do corpo, é
preciso entendê-los tendo em conta que o corpo é assumido como
inimigo da alma: "a carne", segundo a expressão de S. Paulo.
É a esta luz que devemos
interpretar algumas expressões, como esta: "odiemos o nosso
corpo com os seus vícios e pecados, porque vivendo nós segundo a
carne, quer o diabo roubar-nos o amor de Nosso Senhor Jesus
Cristo e a vida eterna" (I Reg. 22,5). Ou então as mesmas
expressões das Exortações: "devemos aborrecer os nossos corpos
com seus vícios e pecados" (Ex.I,6;10,2;12,2.)
Aqui não se trata do corpo
enquanto tal, mas do corpo com seus vícios e pecados. O crente
Francisco não pode deixar de ver o corpo no horizonte da
Criação, da Redenção e Ressurreição.
O corpo, além disso, tem um valor
cosmológico, ou seja, um valor de relação com o mundo, já
que é através dele que o homem comunica com a criação.
O homem do cântico das Criaturas
tem uma perfeita consciência da sua corporeidade, pela
qual confraterniza com todas as criaturas.
A solidariedade cósmica só é
possível através do Corpo.
Para S. Boaventura, alma e corpo
não são duas realidades separadas mas complementares na unidade
do ser humano. O corpo é a única possibilidade de a alma ter uma
existência concreta e temporal. Ou seja: o corpo corresponde à
vocação do homem à comunhão com todos os seres criados que
existem no mundo. A própria existência do corpo, também ele
micro-cosmos, é a afirmação da solidariedade e da fraternidade
do homem com as outras criaturas.
Para Duns Escoto o corpo está em
relação com a alma como a matéria está em relação com a forma e
neste ponto é igual a S. Tomás e a toda a Escolástica. Mas vai
mais longe e dá ao corpo uma perfeição chamada forma de
corporeidade, pela qual mesmo sem a alma o corpo tem uma
dignidade que não se pode reduzir a uma inter-acção
físico-química. Isto é, o corpo mesmo sem alma é superior aos
elementos físico-químicos de que é composto, e participa da
dignidade do «eu».
Dessa dignidade do Corpo
participam também todos os outros seres vivos e, por simpatia
ontológica, todos os outros seres, mesmo inanimados.
Esta visão global de Escoto dá a
todas as criaturas uma dignidade que as faz participantes da
própria dignidade do homem.
Assim, através do corpo, a alma
entra em comunhão com as coisas da natureza, e todos os seres da
natureza entram em comunhão com o homem participando do seu
valor espiritual.
Daí que o relacionamento com o
universo criado deve ser tão respeitoso como o relacionamento da
alma com o Corpo. Assim como a alma precisa do corpo para
conhecer e amar neste mundo, assim o corpo precisa das outras
criaturas para ser instrumento e complemento da alma.
O corpo humano, funcionando como
condição da possibilidade de o homem ser homem no mundo da
natureza, faz com que todos os seres da natureza participem da
dignidade do homem, através do corpo.
O corpo, através dos seus
sentidos, tem uma relação estruturalmente relacional, não só com
as pessoas mas também com todo o universo.
Graças à vista, ao ouvido, ao
olfacto, ao gosto e ao tacto o homem entra em contacto com todo
um universo de experiências, de vivências e de comunicação.
Segundo S. Boaventura o homem, que
é considerado micro-cosmos, tem cinco sentidos que são como
cinco portas pelas quais entra na nossa alma o conhecimento de
todas as coisas que existem no mundo sensível (Itin. C. 2, N.
3).
A visão humanista do corpo da
Escola Franciscana apela a que restituamos ao corpo a sua
dignidade verdadeiramente humana e faz com que prestemos a todas
as criaturas que com ele convivem o obséquio de um diálogo
fraterno e amigo, que exclui toda a tentação de exploração e as
promove à dignidade de fraternidade universal.
3. O Homem e a Natureza
Pelo seu corpo o homem está
radicalmente em comunhão com a natureza. O homem não pode não
estar em relação com os seres que o envolvem.
A natureza ou o mundo fazem parte
do nosso ser humano e do nosso projecto de vida.
Nós somos um ser no mundo.
O ser humano e o mundo-natureza
forçosamente estão em comunicação recíproca. A natureza
constitui aquelas circunstâncias que integram o meu "eu" na
expressão feliz de Ortega Y Gasset: "eu sou eu e as minhas
circunstâncias".
Podemos dizer que a vocação do ser
humano é humanizar a natureza e deixar-se «mundanizar» ou
"naturalizar" pela natureza, não no sentido moral vulgar mas no
sentido cosmológico e psicológico.
Temos de tomar consciência do
nosso diálogo "eu-mundo" não só na dimensão exterior e
objectiva, de duas realidades que estão frente a frente em
reciprocidade existencial, mas também na dimensão interior e
subjectiva, dando-nos conta que é todo o nosso ser – corpo e
alma – que entra em comunhão com a natureza, para dar e receber.
Entre o homem e a natureza pode e
deve haver uma verdadeira harmonia de existência de vida. Para
isso o homem não pode considerar a natureza só como um objecto,
mais ou menos útil, mais ou menos necessário, mas tem de a
aceitar como parte integrante do seu ser.
A natureza não está à frente de
nós: vive connosco! Não é um instrumento ou objecto manejável,
segundo o nosso capricho, mas uma dimensão essencial do nosso
espaço vital.
O homem torna-se vil e grosseiro e
perde a sua nobreza de homem quando usa e abusa dos seres da
natureza. Parafraseando S. Paulo, que afirmava que o marido que
não ama a sua esposa peca contra o seu próprio corpo, podemos
dizer: o homem que não ama mas ofende a natureza peca contra o
seu próprio corpo. E porque o corpo está indissoluvelmente unido
à alma, peca também contra a própria alma. Ou seja: ofender a
natureza – poluindo-a, esbanjando-a, destruindo-a, – é um pecado
em sentido ético e teológico.
O homem não pode ser o rei
despótico da criação mas o irmão universal, o grande irmão, o
irmão mais velho de todos os homens, animais, plantas e coisas.
A vida do homem sobre a terra tem
sido difícil, ao longo da história e tem exigido muita luta para
garantir a sobrevivência e o progresso da humanidade.
Esta luta é legítima e podemos e
devemos socorrer-nos da técnica para vencer os obstáculos que a
própria natureza nos oferece.
O mal está no exagero da ambição e
da cobiça que levam os homens a criar, através da técnica, um
mundo artificial, com grave prejuízo do mundo natural.
A técnica veio a criar uma outra
natureza que embora materialmente ajude o homem no seu
bem-estar, veio também separá-lo e desgarrá-lo da Irmã Mãe
Natureza.
No seu afã insaciável de domínio e
de gozo, o homem deixou de contemplar o mundo da natureza para
se entregar quase só à tarefa materialista e desumana da
fabricação e da produção consumista.
Com estes exageros da exploração
desregrada da natureza, o homem quebrou a relação vital com a
natureza e criou um desequilíbrio que lhe pode ser fatal.
A natureza, porque é o
prolongamento do próprio homem não pode ser só campo de ocupação
mas também a CASA DE HABITAÇÃO.
Hoje assiste-se, em muitos
lugares, ao assassínio da terra, ao que já se chama "terricídio".
Quantos rios, mares, fontes, florestas, campos, cidades,
alimentos e o próprio ar que respiramos estão a ser vítimas da
sôfrega ambição do homem.
O Humanismo Franciscano deve
voltar-se para a Ecologia, e em nome do próprio homem, ou seja,
da dignidade da pessoa humana, deve defender e promover a
integridade, a beleza e o encanto da nossa casa comum que
é o mundo, onde todos queremos habitar em paz, alimentar-nos
racionalmente e vestir com a elegância das linhas e das cores da
Irmã Mãe Natureza.
Ao menos como os lírios do campo e
as aves do céu!
Em síntese: o nosso relacionamento
com a Natureza tem como princípio inspirador a fé num único
Deus, que é a fonte de toda a criação e de toda a vida,
donde procede o homem e a natureza. Não aceitamos o Dualismo
do espírito e da matéria.
O nosso relacionamento com a
Natureza inspira-se também na relação do Espírito de Deus que se
manifesta na Criação e nos faz respeitar valores superiores aos
que o Positivismo descobre, na sua investigação puramente
experimental.
O nosso relacionamento com a
Natureza, finalmente, inspira-se na Sabedoria Eterna do Divino
Artista, donde procede toda a verdade, bondade e beleza das
criaturas. Superamos todo o utilitarismo, pobre e
redutor, da arvorada TECNOLOGIA em deusa do progresso e
da felicidade humana.
O nosso relacionamento com a
Natureza é de simpatia, de admiração, de comunhão celebrativa,
de gratidão, sem domínio nem possessão, vendo, como num espelho,
nos outros seres criados, mesmo irracionais, inanimados e
insensíveis, o reflexo da sublime dignidade humana e da infinita
Beleza de Deus.
Frei Miguel de
Negreiros
in Cadernos de Espiritualidade Franciscana,
nº 2, pp.
38-44.
Conferência pronunciada no Curso
Complementar de Formação Franciscana sobre Vida Franciscana e
Ecologia. Fátima, Julho de 1994 |