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Dos «Poços da Discussão» à Aliança de Paz! |
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Isaac
fez as suas sementeiras naquelas terras (Guerar) e , no mesmo ano,
recolheu cem vezes mais, pois o Senhor abençoara-o. E este homem
tornou-se rico, e foi aumentando cada vez mais a sua fortuna, até
chegar a ser extraordinariamente poderoso. Possuía rebanhos de toda a
espécie, de gado miúdo e graúdo, e numerosos servos. Por isso, os
filisteus tiveram inveja de Isaac. Todos
os poços que tinham sido abertos pelos servos do seu pai Abraão,
quando ele ainda vivia, foram obstruídos pelos filisteus, enchendo-os
de terra.
E
Abimélec disse a Isaac: «Vai-te embora daqui, pois agora és muito
mais poderoso do que nós». Isaac
partiu, e, erguendo as suas tendas na corrente de Guerar, ali resolveu
permanecer. Isaac abriu novamente os poços que tinham sido abertos no
tempo de Abraão, seu pai, e que os filisteus entulharam após a morte
de Abraão, dando-lhes o mesmo nome que o pai lhes tinha dado.
Os
servos de Isaac, prosseguindo as suas escavações no vale, descobriram
uma nascente de águas vivas, mas os pastores de Guerar entraram
em conflito com os pastores de Isaac, e disseram: «Esta água
pertence-nos». Então, Isaac a esse poço chamou «poço da Discussão»,
por lhe terem impugnado falsamente a sua propriedade.
Abriram
um outro poço e logo surgiu nova discussão; por isso, chamou-o «poço
de Reclamação».
Partiu imediatamente dali, e, mais adiante, abriram um poço, a respeito do qual não houve discussões, e deu-lhe o nome de «poço
de Largueza», porque ele disse: «O SENHOR agora deu-nos largueza, e
havemos de prosperar nesta terra.»
Depois,
Isaac subiu dali para Bercheba. O SENHOR apareceu-lhe naquela noite e
disse-lhe: «Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Nada temas, pois estou
contigo. Abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência, por causa
de Abraão, meu servo.»
Isaac
construiu um altar naquele sítio e invocou o nome do SENHOR;
depois, levantou ali também a sua tenda, e os seus servos abriram ali
um poço. Abimélec
partiu de Guerar em companhia de Auzat, seu amigo, e de Picol, chefe do
seu exército, e foi ter com Isaac. Isaac disse-lhes: «Qual a razão
que vos traz até junto de mim, vós
que me odiais e me expulsastes da vossa terra?» Eles
responderam: «Porque é evidente que o SENHOR
está contigo, e dissemos: É indispensável um juramento entre nós e
ti. Queremos, portanto, fazer
uma aliança contigo. Jura que não
nos farás mal algum, assim como nós nunca te maltrataremos e só
te fizemos bem, deixando-te sair em paz. Tu, agora, és abençoado do SENHOR.»
Isaac
ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam. No dia seguinte, de
manhã, ficaram unidos,
por juramento, um ao outro; depois, Isaac despediu-os, e eles afastaram-se em paz, da sua presença.
Génesis 26,12-31 (Tradução da
Difusora Bíblica)
Breve
comentário:
Na
Bíblia, Paz (shalom)
significa todo o género de
felicidade. Se no Novo Testamento se trata da felicidade do Reino
messiânico, no Antigo Testamento ela é sobretudo uma felicidade
material.
O texto do Génesis acima transcrito deixa claro que a busca dessa
felicidade material sempre foi causa de conflitos e discussões entre as
pessoas e os povos. No caso do nosso texto, entre Abimélec (o povo dos
filisteus) e Isaac (o povo de Israel). Uma questão tão simples e tão
banal fez com que os pastores de Abimélec entrassem em conflito com os
de Isaac. Esta questão de saber a quem pertencem os poços e a água,
é motivada sobretudo pela inveja dos filisteus em relação a Isaac, ao
verem que a sua riqueza aumentava consideravelmente (Gn 26,13-14). Isaac
procura a paz e contorna a situação de conflito abrindo outros poços,
até que consegue abrir um a respeito do qual não houve discussões (Gn
26,22). Chega um momento em que Abimélec procura Isaac para concluir
com ele uma aliança de paz (Gn 26,26-31). Não porque estivesse
convencido do valor da paz em si mesmo, mas por medo de Isaac e do mal
que lhe pode vir a fazer, pois o Senhor está com ele (Gn 26,28).
Histórias
de tempos antigos? Antes fossem! Quem não vê hoje as pessoas entrarem
em conflito por coisas mais banais ainda que estas? Quantas vezes a
questão da herança e das partilhas não geram a divisão em famílias
antes tão unidas?
Procuremos todos a Paz. Não por medo. Mas pelo respeito da justiça e
pelo valor que é a paz em si mesma.
frei Fernando Alberto
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