|
«A medida de dar é dar sem medida»
O Centro Social Paroquial de Nossa Senhora do Amial é
uma Instituição Privada de Solidariedade Social (IPSS)
que presta apoio, preferencialmente, aos idosos da paróquia
do Amial, nas valências de centro de dia, apoio domiciliário
e lar para acamados e doentes terminais.
O Centro Social Paroquial de Nossa Senhora do Amial faz do trabalho e do
espírito de solidariedade as suas insígnias na ajuda a quem mais
precisa. Fundado em 1978 o Centro Social iniciou as suas funções apenas
com a valência de centro de convívio. Nesta altura o pároco da Igreja do
Amial era o padre Frei Avelino de Amarante (capuchinho) que confrontado
com as dificuldades de uma paróquia envelhecida, sentiu necessidade de
criar infra-estruturas que dessem resposta aos problemas inerentes à
população idosa da sua paróquia, com o entusiasmo que o caracteriza,
rodeou-se de alguns paroquianos que tiveram um papel importante no
arranque desta obra. Entre outros recordam-se Manuel Luís de Carvalho,
Leónidas Pinto, Alice Guedes (já falecidos), Maria Luísa Pinto e Cruz,
Maria José Bolão, Joaquim Brochado e Manuel Quirino, que lançaram os
alicerces e colocaram em acção o Centro de Convívio que funcionava das
14h às 17h30, numa casa doada ao Centro por Aida dos Santos Cunha.
Entretanto recuperou-se a cave e toda a envolvência, e posteriormente
numa segunda fase o R/C tendo em conta o funcionamento do Centro de Dia.

Ao mesmo tempo com a presidência do Sr. Padre Frei João Santos Costa e o
seu poder de organização reformulou-se os estatutos, que ainda vigoram e
que foram aprovados em 29 de Dezembro de 1983 pelo então Bispo do Porto,
Dom Júlio Tavares Rebimbas e pela Segurança Social em 4 de Fevereiro de
1985.
Aprovado o protocolo com o C.R.S.S. (Centro Regional de Segurança
Social) entra em funcionamento o Centro de Dia que começa a sua
actividade em Junho de 1991 já com a presidência do padre Frei António
Martins, que com o seu entusiasmo e dedicação veio dar nova dinâmica ao
Centro Social, sempre acompanhado por Manuel Quirino (Vice-Presidente).
Nessa altura entram para a direcção, Eugénio Moreira (Tesoureiro) e
Álvaro Mota que vêem dar novo alento ao trabalho social auxiliado pela
assistente social, Eugénia Alexandre.
Segundo Manuel Quirino, “esta valência tem como finalidade prestar
serviços de acolhimento, informação, triagem e encaminhamento, detectar
e inventariar necessidades dos utentes e planear actividades a
desenvolver com eles. Tendo sido adquirida uma viatura de nove lugares
para assegurar o transporte de idosos para o centro de dia e o seu
regresso a casa. Em Março de 1992 foi criado o apoio domiciliário que
permitiu proporcionar aos idosos variados serviços, tais como: a
prestação de cuidados de higiene e conforto, limpeza e arrumação do
domicílio, aquisição de géneros alimentícios e outros artigos,
confecções de refeições, tratamento de roupas, contactos com o exterior,
acompanhamento, recreação e convívio, e acompanha-los ao Centro de Saúde
ou Hospital. Com o aumento de utentes comprou-se uma nova carrinha para
fazer face ao transporte de idosos”.
No entanto a necessidade de se ampliar os serviços foi aumentando, razão
pela qual entre 1997 e 2002, o Centro Social Paroquial de Nª Sr. ª do
Amial, funcionou na casa cedida pela Igreja dos Capuchinhos, enquanto se
procedia à demolição da casa antiga e à construção de uma estrutura de
raiz capaz de satisfazer as necessidades dos utentes, quer
qualitativamente quer abrangendo um maior número de idosos da freguesia
de Paranhos. Manuel Quirino fala com entusiasmo deste projecto: “Entre
1995 e 2003 começamos a pensar em grande surgindo a ideia, com o apoio
do Sr. Arq. Lima Lobo, de construirmos uma infra-estrutura capaz de dar
resposta a utentes acamados e doentes terminais. Em 1997 uma equipa de
projectistas começou a criar o projecto que tinha como principal
objectivo melhorar a qualidade de vida de toda a população que se
encontre em situação de dependência transitória ou definitiva. Em 1998
iniciou-se a construção da obra tendo sido finalizada em 2003”.
No dia 8 de Dezembro de 2003 é inaugurado, pelo Ministro Bagão Félix e o
Bispo Dom Armindo Lopes Coelho, o Centro Social Paroquial de Nossa
Senhora do Amial e em Fevereiro de 2004 entra em funcionamento a
valência de Lar para doentes acamados e doentes terminais.
Para dar resposta às novas valências e ao aumento do número de utentes
procedeu-se à compra de três carrinhas, duas de nove lugares para
substituir as velhas e uma para transporte de deficientes e devidamente
adaptada. O serviço de apoio domiciliário possui 55 utentes, o centro de
dia tem o total de 50 utentes e a valência de acamados e doentes
terminais possui 26 utentes.
Diariamente a alegria invade o Centro Social Paroquial de Nossa Senhora
do Amial, sendo a entreajuda a palavra de ordem, o convívio assume-se
como pedra basilar do modo de viver desta instituição. Padre Frei
António Martins declara: “Este Centro encontra-se imbuído por um
espírito de bem-fazer privilegiando a população idosa. A precariedade
associada à pobreza envergonhada, a marginalidade e a população
envelhecida são três factores que caracterizam a nossa paróquia. O
Centro Social através das suas valências e colaboradores desde: as
funcionárias do Lar, os enfermeiros, os colaboradores do Apoio
Domiciliário e do Centro de Dia, os condutores, o funcionário da
secretaria e os técnicos, conseguem dar uma resposta com
profissionalismo, aplicando em tudo muito amor e carinho, para além de
muito do seu tempo, para que nada falte aos idosos. Assim, o Centro
cumpre cada vez melhor a sua função. Tudo isto coordenado com a nossa
assistente social, Eugénia Alexandre que a tudo acorre para resolver
pelo melhor os problemas que surgem. Assim, com essa conjugação de
esforços pretende-se minorar os graves problemas sociais da Paróquia que
tanto preocupam os responsáveis desta casa”.
Um exemplo a adoptar
Na construção desta casa nada foi tido ao acaso, tudo foi pensado ao
pormenor de forma a proporcionar o melhor conforto para os utentes do
Centro. A singularidade é, sem dúvida, o termo que melhor caracteriza
esta obra. Quando percorremos as instalações do Centro Social o ambiente
acolhedor e simpático desta instituição demonstra de forma clara a
familiaridade que representa esta IPSS. Os quartos retratam a qualidade
de vida que se pretende proporcionar aos utentes do Lar, neste ponto
realçamos, as camas que são todas articuladas com comando eléctrico, de
forma a facilitar a mobilidade do utente, providos de intercomunicadores
e casas de banho individuais com sanita-bidé de maneira a oferecer ao
utente uma higiene pessoal mais acessível e constante. São estas algumas
das particularidades que fazem desta instituição uma casa excepcional e
única. “Equipamos os quartos com tudo o que é necessário para um utente
acamado e terminal, desde papeleiras, suporte para garrafas,
compartimentos individuais para cada utente. Todas as 26 camas
espalhadas por 7 quartos de duas camas, 4 quartos de 3 camas, mais um
quarto terminal, assim como dois gabinetes de enfermagem, estão
equipados individualmente com calhas hospitalares com um revestimento
tipo madeira, para criar um ambiente menos hospitalar, com oxigénio, ar
e vácuo, apoiado com uma central de gases medicinais e vácuo. Cada cama
tem luz directa e indirecta nas calhas, campainha de chamada de
enfermagem, ficha para telefone e tomada de emergência. O nosso
pensamento foi tentar conceber um ambiente que não se assemelhasse a um
hospital”, refere Manuel Quirino.

Pensando nas gerações futuras estes quartos estão ainda equipados com
ficha para acesso a internet, despertando um pouco para as novas
tecnologias a pensar nos futuros utentes. O Centro Social Paroquial de
Nª Sr.ª de Amial é um modelo a seguir pelas outras instituições. Manuel
Quirino comenta com orgulho: “As instituições que prestam serviço no
âmbito da acção social deviam olhar para a nossa obra como sendo, sem
margem de contestação, uma obra que visa proporcionar as melhores
condições de vida ao utente, contribuindo para uma velhice estável e
condigna e um fim com dignidade e qualidade”.
Será que existe por parte das instituições um despertar de consciências
para as dificuldades de utentes acamados e doentes terminais? O trabalho
que esta instituição desenvolve com os doentes acamados e terminais
deveria ser um caminho a adoptar por outras instituições.
Vai mais longe e recomenda que os futuros Lares do Estado ou de
Instituições de Solidariedade Social, subsidiados pela Segurança Social,
deviam ser obrigados a ter quartos e camas adaptados a fase terminal da
vida. E os que existem, fazerem adaptações, nesse sentido, pois o
problema não é ser idoso, mas sim este aspecto do fim da vida.
A «família» do Centro Social
Entre profissionais e idosos criam-se laços de afecto que servem de
exemplo, para aqueles que de longe muitas vezes criticam sem reconhecer
o devido valor de que estes profissionais são meritórios.
Para o bom funcionamento de todos os seus serviços o Centro Social
“necessita estimular os utentes e funcionários para a formação e por
isso temos programadas várias acções de formação nesse sentido. Existe
também, inúmeras pessoas a tirarem formações vocacionadas para a área da
terceira idade e é aqui que essas pessoas tomam um conhecimento mais
real de modo a tornarem-se bons profissionais e nossos futuros
colaboradores”, expõe Eugénia Alexandre. O Centro promove também a intergeracionalidade e o trabalho interinstitucional através do contacto
com escolas e o intercâmbio com outras instituições de terceira idade.

Enaltecer a obra e o trabalho desempenhado por todos que pertencem a
esta instituição nunca é demasiado. O conjunto de recursos humanos e
tecnológicos que o Centro Social coloca à disposição dos cidadãos
permite enfrentar a vida com mais qualidade, acautelando e atenuando os
momentos difíceis da vida de cada utente com o afecto, a bondade e a
competência técnica nas áreas sociais, saúde e religiosa. Manuel Quirino
menciona: “O Centro é um «família» que nos satisfaz moralmente pois
reflecte o empenho e carinho de todos aqueles que contribuem,
diariamente, para a grandiosidade desta instituição. Sem nunca esquecer
o excelente trabalho desenvolvido por anteriores direcções, queremos
agradecer a todos aqueles que nos têm acompanho ao longo destes anos,
desde os senhores padres capuchinhos (a quem está confiada a paróquia e
esta obra social, que nos têm presenteado com a sua ajuda,
acompanhamento e compreensão), paroquianos e Liga dos Amigos do Centro.
Não esquecemos as famílias, Pinto e Cruz e Fernando Tavares, e as
empresas Fricão (Equipamentos de Hotelaria), Fernando Simão, Ar Liquide,
Maconor, Exclusivo Iglésias (Equipamento Hospitalar), Araújo e Paiva,
Fundação Belmiro de Azevedo, assim como a Câmara Municipal de Matosinhos
e a Câmara Municipal do Porto, entre outros. Várias são as entidades que
têm contribuído para esta obra, assim como todos os nossos fornecedores,
o nosso muito obrigado”.
Projectos Futuros
Atento a todos aqueles que guiam a sua vida segundo o lema «fazer o bem
sem olhar a quem» padre Frei António Martins elucidou-nos sobre o futuro
desta instituição.
Projectando um futuro mais ligado ao voluntariado e aos tempos modernos,
as iniciativas para criar um futuro melhor e mais propício são referidas
pelo presidente do Centro Social: “Aumentar o número de voluntários de
forma a conseguir dar uma resposta mais eficaz, sobretudo nas horas de
almoço e jantar. A implementação de um projecto que visa prolongar o
apoio domiciliário para fins-de-semana será realizado já neste ano de
2008. Os pedidos são mais que muitos e infelizmente não conseguimos dar
resposta a todos os pedidos que nos chegam, neste sentido era necessário
aumentar a capacidade do Lar”, conclui padre Frei António Martins.
A continuar em 2008…
Promoção da intergeracionalidade;
Promoção do trabalho interinstitucional;
Realização de actividade Física (aulas de ginástica às 3ª e 6ª feiras);
Continuação da terapia ocupacional na valência de apoio domiciliário;
Apoio espiritual (encontro mensal para a realização de uma missa com
famílias, visitas e utentes das diversas valências no Centro Social);
Alargamento do voluntariado;
Formação para utentes e funcionários do centro;
Comemoração de datas;
Realização de trabalhos manuais e venda;
Actividades sócio-recreativas;
Visitas culturais e passeios.
|
Organização institucional
A Direcção do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora do Amial é
constituída por cinco elementos sendo: Presidente: Padre Frei António da
Silva Martins; Vice-presidente: Dr. Manuel Quirino Teixeira; Tesoureiro:
Eugénio Moreira; Secretária: Prof.ª Maria José Costa Vasconcelos e
Vogal: Enfermeiro Luís Ferreira.
As funções de apoio aos utentes estão a cargo: Directora técnica: Dr.ª
Eugénia Maia Alexandre, nove ajudantes domiciliárias, treze ajudantes de
lar; uma ajudante de centro de dia, sete enfermeiros, uma lavadeira, uma
engomadeira, três motoristas, três técnicos de manutenção, seis
cozinheiras e um administrativo. |
Com as devidas licenças da
direcção do Jornal
«O Primeiro de Janeiro»
O Primeiro de Janeiro,
caderno Acção Social, 26 de Janeiro de 2008, 8-10.
Fotos de: Ademário João
Delgado, OFMCap.
(não incluídas no artigo
original) |