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Quinta dos Capuchinhos (antigo lugar da Bouça-Cova) |
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«Pedaços de História da Quinta dos
Capuchinhos, Antigo Lugar da Bouça-Cova», é um trabalho de
investigação realizado por uma aluna do Externato Paulo VI, em Novembro
de 1996. Alexandra Raquel Silva, convidada a elaborar um trabalho para a
disciplina de História, não hesitou em propor, pesquisar, investigar
cuidadosamente a história da "Quinta dos Capuchinhos" que aqui
reproduzimos na totalidade.
webmaster
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Introdução |
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No
Concelho de Gondomar, mais propriamente em S. Cosme, freguesia e sede do
mesmo, encontramos a Quinta dos Capuchinhos e com esta a igreja e o
seminário.
Neste
trabalho de investigação histórica sobre o qual me debrucei para a
disciplina de História, proponho-me apresentar "Pedaços da História da
Quinta dos Capuchinhos - Antigo Lugar da Bouça-Cova".
Camilo de
Oliveira, a propósito das origens da quinta refere:
"A referência
mais antiga que conheço, a Bouça-Cova, é nas Inquirições mandadas fazer
por El-rei D. Diniz em 1327 (A.D). No termo de Gondomar a terra de
Bouça-Cova foi considerada honra pelo corregedor Aparício Gonçalves,
determinado que continuasse honrada enquanto "y houver filho d'algo".
Mais tarde
a quinta passou para as mãos do cabido da Sé do Porto, que a emprazava a
uma pessoa que passava a ser o proprietário. Esse aforamento fazia-se
por três vidas (1).
Só depois aparece como proprietário da Quinta da Bouça-Cova José de
Castro Pereira.
O nome da
Quinta de Bouça-Cova, em Gondomar ao lado da linha nº10 da Carris do
Porto, com paragem do eléctrico mesmo à porta e com autocarros para o
Porto a uns sessenta metros de distância, sendo estes de quinze em
quinze minutos e aqueles de vinte em vinte, deve-se ao enorme bosque de
2.800m2 que rodeia esta quinta, toda murada, sendo a área do terreno
correspondente a 200.000m2.
Dentro
desta quinta encontrava-se uma grande casa adaptável ao seminário que lá
construíram conhecida pelo nome de Convento dos Frades Capuchinhos de
Gondomar.
Esta
propriedade foi vendida, a 29 de Janeiro de 1921, por vinte e cinco
contos de reis ao sr. António Loureiro Pereira de Castro e a sua mulher
D. Rosinda de Castro Rebelo de Carvalho.
Esta, a 9
de Junho de 1926 transmitiu todos os bens que possuía em Gondomar, como
dote de casamento, a seu filho Abílio Pacheco Teixeira de Carvalho. Este
senhor vendeu a propriedade em 19 de Junho de 1958 pela quantia de três
mil oitocentos e cinquenta contos aos capuchinhos que aí instalaram o
actual seminário dos Frades Menores Capuchinhos em Portugal e que se
debatiam com grandes dificuldades em Vila Nova de Poiares,
transferindo-se em Julho de 1958 para a vila de Gondomar.
Dentro
desta quinta é visível a riqueza de jardins de verde luxuriante com
reminiscências na inspiração clássica inglesa, encontrando-se até alguns
modelos de fontes construídas no séc. XVIII. É de realçar o Brasão desta
casa na entrada principal.
Tinha
também uma capela com invocação de S. João Baptista e um legado de se
rezar uma missa todos os domingos e missa cantada em dia de S. João. O
legado era 8 óbulos romanos o que representava 8 reis em moeda
portuguesa. Esse legado passou a ser cumprido na capela da casa de
Bouça-Cova em 1816
(2).
No
entanto, esta quinta funciona agora como convento mas também como
seminário. Convém dizer desde já que não existe qualquer planta ou
projecto antigo da quinta ou da casa, originais.
(...)
Para
realização deste trabalho, recorri a fontes escritas tais como o livro
de Camilo de Oliveira "Monografia de Gondomar" um estudo bastante
aprofundado mas que necessitava ser actualizado uma vez que foi editado
em 1935-36, em 4 volumes. Outro livro consultado foi o Boletim Oficial
do Comissariado dos Frades Menores Capuchinhos, de Portugal no ano de
1960, que encontrei na Biblioteca do convento dos padres capuchinhos,
com a preciosa ajuda do padre José Maria, no dia 15 de Novembro de 1996.
Além destes, todas as pequenas referências a Gondomar, encontram-se em
obras de carácter geral. Todos os autores que consultei citam Camilo de
Oliveira.
(1) A Quinta da Bouça-Cova
descrita pela freguesia de S. Cosme-Gondomar.
(2) O Concelho de Gondomar,
(apontamentos monográficos) Camilo de Oliveira, Vol. III, pág. 235. |
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Genealogia |
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A
Quinta da Bouça-Cova, situada dentro do perímetro máximo da sede do
concelho, avenida General Humberto Delgado, é uma das portas de entrada
para São Cosme, concelho de Gondomar.
Actualmente está aí estabelecido o Seminário dos Frades Menores
Capuchinhos... "o seminário Seráfico dos Capuchinhos em Portugal", a
quem hoje pertence toda esta propriedade.
Mas a
casa da Bouça-Cova, em 1327, nas inquirições mandadas efectuar por
El-rei D. Diniz foi considerada honra pelo corregedor Aparício
Gonçalves. Muito mais tarde aparece-nos como proprietário da quinta da
Bouça-Cova, José de Crasto Pereira.
Nasceu
José de Crasto Pereira em São Cosme de Gondomar a 22 de Novembro de
1690, Cavaleiro-Professo na Ordem de Cristo, Cavaleiro-Fidalgo da Casa
Real, Familiar do Santo Oficio, Senhor da Casa de Bouça-Cova, Vale-Chão
e outras.
Casou
com D. Clara Maria da Cunha Barbosa de S.
Miguel e Vasconcelos, Senhora
do vínculo de Nossa Senhora da Esperança, de que foram administradores.
Tinham
sepultura na Capela de Nossa Senhora da Esperança, no claustro da Sé do
Porto, pertencente ao dito vínculo, assim como tinham capela na igreja
da freguesia de S.
Cosme, de que foram benfeitores por provisão especial
do Sr. Bispo do Porto, passada e registada na Câmara Eclesiástica no mês
de Julho de 1744.
Camilo
de Oliveira diz-nos:
"José de
Crasto Pereira morreu na sua Casa de Bouça-Cova, a 30 de Maio
de 1746 e inclino-me a crer que foi sepultado na igreja de São Cosme na
sua capela privativa".
Tinha
um ofício de Escrivão dos Orfãos de Penafiel e a patente de capitão. Era
irmão do Rev. Manuel de Crasto Pereira, arcediago de Valedigem, na Sé de
Lamego, e abade de Bitarais, que lhe fez doação de parte da sua quinta
de Vale-Chão, pertença da Comenda de São Cosme de Gondomar, da Ordem de
Cristo de que era administrador o Sr. Conde de Povelide, Comendador da
Comenda de São Cosme, Gondomar.
Teve
outro irmão, o Rev. Dr. Simão de Crasto Passos, também abade de S.
Miguel de Bitarais, Cavaleiro-Professo da Ordem de Cristo e Comissário
do Santo Oficio, morador na rua Chã, da cidade do Porto.
Era
Senhor da Quinta de Gondomarinho, com capela da invocação de São João
Baptista. Todos os três irmãos tinham parte na quinta de Vale-Chão.
José de
Crastro Pereira e D. Clara Maria de S.
Miguel e Vasconcelos tiveram, entre outros, os seguintes filhos:
-
José Vicente, sucessor no vínculo de Nossa Senhora da Esperança que
renunciou a favor de seu irmão Pedro da Cunha, porque preferiu seguir a
carreira eclesiástica.
-
Jerónimo Luiz.
-
D. Ana Agostinha, religiosa.
-
Pedro da Cunha, sucessor no vínculo de Nossa Senhora da Esperança, sem
geração.
-
D. Clara.
-
Francisco.
-
D. Teresa Josefa Barbosa da Cunha e Vasconcelos, casada com António
Bernardo Álvares de Brito Fidalgo-Cavaleiro da Casa Real, Cavaleiro na
Ordem de Cristo, Senhor da Casa do Ribeirinho, Gaia.
-
D. Joana Flávia da Cunha e Vasconcelos, sucessora na Casa de Bouça-Cova,
casada com João Bernardo de Meireles Guedes, Fidalgo-Cavaleiro da Casa
Real, filho segundo da Casa de Aveleda, de Penafiel.
D.
Joana Flávia da Cunha Guedes, casada com João Bernardo de Meireles
Guedes, filho de Gonçalo de Meireles Guedes, e sua mulher D. Francisca
Joana Guedes, viveram na sua Quinta de Bouça-Cova e também nas suas
casas do Laranjal, na cidade do Porto.
D.
Francisca Joana Guedes era irmã de Domingos da Costa Guimarães e
recebera deste, por doação (1738), a Quinta de São Cosme, que tinha
herdado de seus pais Domingos da Costa Guimarães e mulher D. Maria de
Meireles.
Era
directo Senhor da Quinta de São Cosme D. Tristão da Cunha Ataíde, Conde
de Povelide, Comendador da Comenda de São Cosme de Gondomar, da Ordem de
Cristo.
D.
Joana Flávia da Cunha Guedes foi Senhora da Quinta de Gondomarinho, que
herdou de seu tio o Rev. D. Simão de Crasto Passos, abade da freguesia
de São Miguel de Bitarãis, Cavaleiro-Professo na Ordem de Cristo e
Comissário do Santo Oficio.
Sucedeu-lhe na casa, seu filho José de Meireles Guedes de Carvalho, sem
geração e a este seu irmão António de Meireles Guedes de Carvalho, moço
fidalgo com exercício no Paço, Comendador da Ordem de Cristo, residente
na sua Quinta de Cima de Vila, lugar de Valpedre, Penafiel, que teve uma
filha natural legitimada, de nome D.Carolina Augusta de Meireles Guedes,
que casou com seu primo Pompeu de Meireles Garrido, universal herdeiro
de António de Meireles Guedes de Carvalho.
Pompeu
de Meireles Guedes Coutinho Garrido, que deve ser o anterior, aparece
também casado com D. Maria da Conceição Lemos Pereira de Laceda.
Sucedeu-lhes seu filho, o Bacharel Manuel Pereira de Meireles Guedes
Coutinho Garrido, solteiro, que fez doação da propriedade a D. Maria
Aguilar Ciezar, de origem espanhola. Manuel Pereira de Meireles Guedes
Coutinho Garrido teve um irmão, o Dr. António de Meireles Guedes
Coutinho Garrido, casado com D. Maria Isabel de Melo, residentes em
Coimbra.
É hoje
proprietário da Casa de Bouça-Cova, Abílio Pacheco Teixeira Rebelo de
Carvalho, neto do Dr. João Teixeira Rebelo, Fidalgo-Cavaleiro da Casa
Real, Senhor das Pereiras e do Solar de Santo André, em Barrosas,
concelho de Lousada.
O
documento mais antigo que existe na casa respeitante à propriedade de
Bouça-Cova, é a Carta de Sentença de Dote para fábrica de Capela tirada
no ano de 1726.
Diz o
documento:
«O capitão Joseph de Crasto Pereira, da freguesia de São Cosme de
Gondomar, que vive com ânimo de actualmente habitar e residir enquanto
vivo for, com sua família, na sua quinta no lugar de Bouça-Cova
«.....................» quer erigir novamente uma capela no Souto
chamado de Bouça-Cova bem junto ao pátio das casas novas que anda
fazendo no dito sítio, e que a quer erigir com a invocação da Senhora
Santa Quitéria».
Por
aqui se depreende que as casas velhas junto à capela são construção de
José de Crasto Pereira e que deviam estar terminadas nos princípios do
século XVIII.
A
ausência de documentos mais antigos faz crer que esta propriedade seria
adquirida por esta família nessa época, visto que a Quinta de Vale-Chão
é a que figura como sendo dos irmãos José de Crasto Pereira e o Rev.
Simão de Crasto Pereira, Abade de Bitarais, e deste Capitão José de
Crasto Pereira.
Capitão
José de Crasto Pereira, Cavaleiro-Professo na Ordem de Cristo, morador
na sua quinta da freguesia de São Cosme de Gondomar e irmão inteiro do
Dr. Simão de Crasto Passos, abade da freguesia de Bitarais.
José de Crasto Pereira é natural e morador na sua quinta de Bouça-Cova.
No seu princípio foi lavrador. |
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Licença de Compra da Quinta da Bouça-Cova |
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"A casa e
quinta da Bouça-Cova fica situada nas cercanias da vila de Gondomar, a
uns 7 kms do Porto, à qual a cidade está unida por uma linha de
eléctricos que tem uma paragem junto à porta desta casa e quinta.
O terreno,
como todos os desta região, é muito bom, com abundância de água e com
uma produção considerável de batata, hortaliças, milho e vinho. A sua
extensão é de 200.000 m2, 8.000 dos quais são ocupados por um bosque. A quinta
está toda murada.
Tem uma
ampla casa, que com pequenas modificações pode muito bem servir para
implantarmos nela o nosso seminário, casa que com o tempo se poderá
facilmente ampliar para nela ficar o definitivo seminário do
comissariado. Por esta casa e quinta pediam a quantia de 4.000 contos,
mas conseguimos que abatessem esse preço para 3.850 contos.
Os meios
para efectuar o pagamento desta casa e quinta:
-
os Superiores do Comissariado, comprometem-se a pagar por sua conta o
total do preço desta casa e quinta. Desde já tomamos a responsabilidade
de pagar 850 contos e para os 3.000, que faltam, será preciso:
1º
-
contrair um empréstimo dessa quantia, isto é, de 3.000 contos e,
2º
-
revender parte do terreno que comprarmos.
Os actuais proprietários dessa quinta não
a querem vender por partes, mas sim por inteiro; nós porém, se vendermos
uma grande parte dessa quinta, ainda ficaremos com uma extensão mais que
suficiente para a desafogada vida económica do seminário de 150 alunos,
com os professores e Irmãos Leigos necessários, num total de 175
pessoas." (cf.
Carta do Muito Reverendo Comissário... e Acta da Assembleia..., em anexo)
Foram
estes alguns dos pontos tratados na carta enviada ao Rev. Senhor Padre
Benigno de Sant'Illario Milanese, Ministro geral dos Capuchinhos em
Roma, no dia 5 de Fevereiro de 1958, com o intuito de obter a licença de
compra da casa e quinta pretendida.
Além desta licença pedida ao Ministro
Geral dos Capuchinhos em Roma foi também pedida a licença de compra para
instalar o Seminário Seráfico em Gondomar ao Bispo do Porto. (cf.
Requerimento do Padre Comissário... e Resposta do Senhor Bispo..., em
anexo) |
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A Quinta da Bouça-Cova |
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O conjunto
arquitectónico chamado Quinta da Bouça-Cova é constituído por:
a) - Casa
da Quinta e Biblioteca:
As
construções primitivas, constituídas pela casa e capela eram de épocas
diferentes.
A casa da
quinta data do século XIV, segundo Camilo de Oliveira, e nas plantas
antigas pode ver-se que existiu uma construção junto à capela que foi
erigida na primeira metade do século XVIII.
O local
onde existiu a primeira casa está ocupado por uma construção mais
recente, talvez do século passado e onde funciona o jardim escola dos
Capuchinhos.
Esta
construção com o corpo que foi demolido definia e enquadrava um espaço
exterior -
pátio -
remate natural dos dois acessos (a ala do edifício junto à capela, e a
outra ala de construção mais recente), uma através de uma ala arborizada
com ligação à zona central da vila;
O
enquadramento hierarquizava entrada nobre de casa, com a sua escadaria
de granito.
O que
resta da traça inicial ainda tem a arquitectura representativa da época
no norte do pais: aberturas debruadas, com ombreiras e pardieiras, em
granito recortadas; varandas assentes em cachorros trabalhados. Estes
repetem-se na cimalha de apoio ao remate do beiral. Os ombrais são
enriquecidos com elementos de granito rematados junto à cimalha por
gargolas do mesmo material.
A
leitura do piso do andar nobre é realçada nas fachadas, por uma faixa
horizontal de granito e faz a separação do rés-do-chão (espaço reservado
à complementar actividade agrícola) do espaço reservado à habitação.
No
interior, a casa foi muito alterada dadas as funções diversas para que
os espaços têm sido utilizados. No entanto na sala de jantar ainda se
encontra uma lareira original e uma fonte.
O outro
espaço, este mais directamente relacionado com o arruamento, junto à
capela ao qual se tem acesso por um portão armoriado encimado por um
brasão.
Biblioteca
Do
Arquivo Nacional de ex-Libris, 1928, 1º ano, nº6, pág. 107, extraímos a
seguinte referência ao cidadão ilustre Exmo. Sr. Abílio Pacheco Teixeira
Rebelo de Carvalho:
"Reside
na Quinta de Bouça-Cova, em Gondomar, onde possui uma riquíssima
livraria superior a cinco mil volumes, em que a História e a Arte se
acham copiosamente representadas.
É
também notável a série de livros estrangeiros sobre Portugal, e bem
assim uma grande quantidade de manuscritos, pergaminhos, cartas de
brasão, etc.
Abílio
de Carvalho é um espírito culto e um estudioso que se apraz em folhear
os livros donde ressuscita o passado de Portugal. Dedica-se com prazer a
investigações genealógicas, não tendo no entanto publicado até hoje
algum fruto dos seus estudos.
Descendente de família ilustre, podemos ver no brasão que embeleza o seu
ex-Libris: um escudo partido, onde se lêem as armas dos Pachecos (de
Duarte Pereira) e as dos Teixeiras, cortados das dos Rebelos. Deve
notar-se que neste escudo há pequenas incorrecções heráldicas.
Os seus
ascendentes eram senhores da casa de Santo André e seu avô, o Dr. João
Manuel Pacheco Teixeira Rebelo, era Fidalgo
- Cavaleiro da casa de El-Rei
D. Luís I, por sucessão a seus maiores.
Abílio
de Carvalho é Cavaleiro da Ordem de S. Gregório Magno. Usa o ex-Libris
desenhado por António Lima que já lhe desenhara um outro anterior, de
igual assunto, cuja chapa se perdeu.
Anteriormente ainda ao uso de qualquer destes, teve durante algum tempo
um outro ex-libris, simbólico, impresso a preto e vermelho, desenhado
por Carlos Ribeiro".
b) -
Capela da Nossa Senhora da Mãe dos Homens
A carta
de Sentença de Dote para a fábrica de capela, tirada no ano de 1726, é o
documento mais antigo que existe na casa respeitante à propriedade de
Bouça-Cova (o documento original, esse muito antigo já não existe devido
ao seu extravio).
Diz o
documento:
«O capitão Joseph de Crasto Pereira da freguesia de S. Cosme - Gondomar,
que vive com animo de actualmente habitar e residir emquanto vivo fôr,
com sua família na sua quinta sita no logar de Bouça-Cova «...........»
quer erigir novamente uma capella no Souto chamado de Bouça-Cova bem
junto ao pateo das casas novas que anda fazendo no dito sitio, e que a
quer erigir com a invocação da Senhora Santa Quitéria».
Havia
na capela de Santa Quitéria um legado Pio perpétuo de uma missa em todos
os domingos e dias santos, que instituiu o capitão José de Crasto
Pereira e sua mulher D. Clara Maria da Cunha de S. Miguel de
Vasconcelos.
Não se
sabe quando o orago se passou a ser Nossa Senhora Mãe dos Homens.
"A capela de casa da
Bouça-Cova tem hoje a invocação da Nossa Senhora Mãe dos Homens, ignoro
no entanto a época em que foi mudada a invocação primitiva de Santa
Quitéria" (1).
A
imagem de Santa Quitéria ainda se encontra num dos nichos laterais do
altar-mor.
A festa
de Nossa Senhora Mãe dos Homens realiza-se no último domingo de Agosto.
Chegou a ser uma das mais importantes do concelho, havendo sempre duas
músicas e fogo do ar sendo a sua parte mais original uma vaca luminosa,
que descia por arames e impulsionada pelo fogo desde a Prelada ao largo
da Bouça-Cova.
"Esta capela, situada ao
lado direito da entrada principal da quinta, foi benzida a 19 de Agosto
de 1726, pelo padre Domingos Ramos coadjutor da freguesia de Gondomar,
celebrando-se nela pela primeira vez a santa missa nesse mesmo dia 5"
(2).
Entre o
óculo e o portal (na fachada principal) encontra-se um nicho em granito
contendo a imagem de Santo Onofre.
Interior da Capela:
A
capela é ricamente ornamentada de imagens policromadas onde não falta o
casamento da talha dourada com a mármore dos altares.
c)
Espaço Envolvente:
Quanto
ao espaço envolvente da quinta, podemos dividi-lo em duas partes:
* Área
reservada à exploração agrícola.
* Dois
espaços ajardinados -
um deles, a sul da construção, e considerado um jardim do tipo
português, o outro, a poente, é um jardim que terá sido um projecto do
arquitecto paisagista inglês do século XVIII Humphry Repton e como tal é
considerado um jardim de tipo inglês (segundo a opinião de técnicos da
Universidade de Lisboa).
A
Fonte da Quinta
No
pátio da entrada principal da quinta, e como um convite a saciar a sede
ao visitante, crepita a cristalina água que jorra de três bicas.
É uma
fonte que mais parece um monumento, bem ao gosto do enquadramento do
conjunto arquitectónico da quinta.
Noite e
dia aqueles fios de água cantam como que a perpetuar a grandiosidade
daquela que foi casa senhorial do século passado. Não só matava a sede
como também embelezava todo o recinto.
É um
monumento que nos convida a olhar bem para as alturas, dividido em três
partes sendo a base como um recipiente que apara as águas; uma Segunda
parte, o corpo, com pilares embutidos; e uma terceira um remate. No
centro uma subdivisão com três elementos em degrau sendo o primeiro uma
figura mitológica representando uma ave com duas cabeças encimados por
uma coroa. Ainda no corpo do monumento podemos ver um nicho onde
posteriormente se presume ter existido uma estatueta.
No
terceiro elemento, o remate é apelidado de acrotério visto ser um
pedestal liso colocado sobre uma cornija. Todo este conjunto é rematado
por uma cruz também em granito.
A Heráldica da Quinta da Bouça-Cova
"A
heráldica -
onde a arte triunfa pela beleza sugestiva do simbolismo
-
e a genealogia -
onde a tradição de família perpetua o laço que nos prende às gerações
passadas -
suprem crónicas, ressuscitando instituições e homens relembrando factos
e esclarecendo pormenores; são numa síntese de verdade, preciosos
auxiliares da história". (José de Sousa Machado - Brasões Inéditos - in
Camilo de Oliveira) (3).
Como atrás referi a
quinta da Bouça-Cova ao longo dos anos teve vários donos. É de salientar
José de Crasto Pereira, fidalgo da casa de Sua Magestade que após a
obtenção do título de capitão, mandou colocar no portal principal da sua
quinta as armas dos Crastos, dos Pereiras, dos Cunhas e Carneiros, como
o descreve em pormenor Camilo de Oliveira
(4).
Em 29
de Junho do ano 1921 D. Rosinda de Crasto Rebelo de Carvalho, actual
proprietária, no local onde estava o brasão do capitão José de Crasto
Pereira mandou colocar outro que ainda hoje ali permanece. Tem de um
lado as armas dos Pachecos, e do outro as dos Teixeiras e dos Rebelos.
Camilo
de Oliveira descrevendo o antigo brasão da quinta:
"Segundo testemunho ocular, contactada por mim, o primeiro brasão teria
sido derrubado por forte tempestade e como nada restasse, foi
substituído pelo actual".
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Inauguração da III Feira Regional de Gondomar |
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No
Boletim Oficial do Comissariado dos Frades Menores Capuchinhos de
Portugal, na página 520, do livro do ano de 1967 - Junho-Agosto,
encontrei descritos alguns dos acontecimentos que se realizavam nesta
quinta. De seguida farei referência às Feiras Regionais de Gondomar, as
quais eram inauguradas na Bouça-Cova.
"A
inauguração solene da III Feira Regional de Gondomar, foi no dia 17 de
Junho às 18:00. No limite do concelho, foi feita a recepção ao Exm. Sr.
Governador Civil do Porto estando presentes as autoridades concelhias,
presididas pelo Exm. Sr. Presidente da Câmara, bem como o Definitório
Provincial, presidido M.R.Padre Provincial, e o clero da Vigararia
presidido pelo Revmo. Vigário da Vara e toda a Comissão Organizadora
desta III Feira.
Em
frente dos paços do concelho, fez-se a recepção oficial, estando
presentes todas as Agremiações Culturais e Recreativas do concelho e
prestando a sua óptima colaboração a Filarmónica Gondomarense, bem como
os Bombeiros Voluntários de Gondomar.
À entrada do Recinto da Feira encontrava-se sua S. Ex.ª Rvema. D.
Francisco da Mata Mourisca, e muito povo, seguindo-se ao corte da fita
simbólica da abertura da Feira uma visita a todo o recinto, tendo no fim
sido oferecido as lembranças ao Exmo. Sr. Governador Civil, Sr. Bispo de
Carmona e ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara". |
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Conclusão |
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Ao
realizar este trabalho foi meu intuito dar a conhecer e aprofundar os
meus conhecimentos sobre a história da Quinta dos Capuchinhos - Antigo
Lugar da Bouça-Cova.
Após um
trabalho exaustivo de pesquisa, quer teórica quer oral, junto dos
actuais frades capuchinhos, mais precisamente do padre José Maria, penso
ter atingido os meus objectivos uma vez que, tal como refere o
Cancioneiro Popular Português:
"Quem
mais vive mais aprende,
quem mais aprende mais sabe" |
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Bibliografia |
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Boletim
Oficial do Comissariado Geral dos Frades Menores Capuchinhos em
Portugal. Vol. II, 1958/1960.
OLIVEIRA, Camilo de -
O Concelho de Gondomar (Apontamentos Monográficos). Vols. I, II, III, IV,
Porto, 1983. |
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Anexos |
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DO MUITO REVERENDO PADRE COMISSÁRIO PROVINCIAL
E DOS SEUS ASSISTENTES AO REVERENDÍSSIMO
PADRE GERAL E AO SEU DEFINITÓRIO
Prot.
71/58
Porto,
5 de Fevereiro de 1958
Rev.mo
Senhor
Padre Benigno de Sant'Ilário Milanese
Ministro Geral dos Capuchinhos
ROMA
Reverendíssimo e muito amado Padre Geral,
depois
de cumprimentar afectuosamente V.a Rev.ma e de implorar a sua bênção,
queremos fazer-lhe uma exposição das nossas gestões para encontrar a
solução, não só provisória, mas também definitiva, do seminário Seráfico
do Comissariado.
1º)
-
Pelas cartas e documentos que anteriormente enviámos (Prot. 215/57), V.ª
Rev.ma conhece perfeitamente a urgente necessidade em que nos
encontramos de tirar de Vila Nova de Poiares o nosso Seminário Seráfico;
por isso abstemo-nos de repisar o mesmo assunto.
2º)
-
Recebida a resposta de V.ª Rev.ma, prot. 173/57, na qual aconselhava a
máxima prudência e ponderação para evitar qualquer precipitação na
escolha de terreno e casa para o futuro Seminário, começámos logo a
trabalhar no caso e nomeámos uma Comissão (prot. 1/58), composta por
quatro Padres do actual Seminário, para que nos ajudassem na busca e
selecção de terrenos e casas que parecessem aptos para o fim em vista.
3º)
-
Pusemo-nos imediatamente em contacto com vendedores particulares e com
as principais Agências de vendas de propriedades no Norte e Centro do
País e chegámos a visitar mais de quarenta desses terrenos e casas,
estudando as suas condições de possível aluguer e compra.
4º)
-
Posteriormente, o Definitório escolheu sete desses quarenta e tantos
terrenos e casas, por nos parecerem os melhores para a solução, primeiro
provisória e depois definitiva, do problema do Seminário.
5º)
-
Convocámos depois uma Assembleia extraordinária, composta pelos Padres
Fabriqueiros, pelos Superiores locais, pelos membros da Comissão do
Seminário, pelo Mestre de Noviços e pelo Secretário Provincial, e
estudámos com eles ampla e detidamente o assunto; todos visitaram os
sete terrenos e casas previamente seleccionados e pedimos-lhe o voto por
escrito sobre qual seria o melhor para nós. Todos se pronunciaram, como
se vê no documento anexo, pela compra da casa e quinta da Bouça Cova em
Gondomar, que passamos a descrever.
6º)
-
Casa e quinta da Bouça-Cova: Fica situada nas cercanias da vila de
Gondomar, a uns sete quilómetros do Porto, à qual cidade está unida por
uma linha de eléctricos que tem uma paragem junto à porta desta casa e
quinta. O terreno, como todos os desta região, é muito bom, com
abundância de água e com uma produção considerável de batata,
hortaliças, milho e vinho. A sua extensão é de 200.000 m2, 8.000 dos
quais são ocupados por um bosque. A Quinta está toda murada. Tem uma
ampla casa, que com pequenas modificações pode muito bem servir para
implantarmos nela o nosso Seminário, casa que com o tempo se poderá
facilmente ampliar para nela ficar o definitivo Seminário do
Comissariado. Por esta casa e quinta pediam a quantia de 4.000 contos,
mas conseguimos que abatessem esse preço para 3.850 contos.
7º)
-
Meios para efectuar o pagamento desta casa e quinta: Os Superiores do
Comissariado comprometem-se a pagar por sua conta o total do preço desta
casa e quinta. Desde já tomamos a responsabilidade de pagar 850 contos e
para os 3.000, que faltam, será preciso:
a)
-
contrair um empréstimo dessa quantia, isto é, de 3.000 contos e
b)
-
revender parte do terreno que comprarmos.
Os
actuais proprietários dessa quinta não a querem vender por partes, mas
sim por inteiro; nós, porém, se vendermos uma grande parte dessa quinta,
ainda ficaremos com uma extensão mais que suficiente para a desafogada
vida económica do Seminário de 150 alunos, com os Professores e Irmãos
leigos necessários, num total de 175 pessoas.
8º)
-
PETIÇÃO: Como é urgentíssimo que tiremos de Vila Nova de Poiares o
actual Seminário e estamos em risco de perder a oportunidade de comprar
a casa e quinta da Bouça-Cova, que resolve a nossa angustiosa situação,
PEDIMOS encarecidamente a V.ª Rev.ma e ao seu Definitório que nos
autorizem
a)
-
a comprar a dita casa e quinta, situada em Gondomar;
b)
-
a contrair um empréstimo de 3.000 contos;
c)
-
a revender depois parte dessa quinta.
Por
amor à nossa santíssima Mãe do Céu pedimos ao Rev.mo Padre Geral que nos
conceda quanto antes este grandíssimo favor. Nossa Senhora há-de
ajudar-nos a conseguir que o Seminário fique definitivamente instalado.
O nosso trabalho foi intensíssimo e cremos ter agido sem precipitações.
Todo o Comissariado, representado pelos Superiores de cada uma das suas
casas, tomou parte activa neste assunto. Ficámos radiantes ao ver a
unanimidade de todos esses Superiores e pensamos que também V.ª Ver.ma
com o seu Definitório ficará com isso muito satisfeito.
9º)
-
O Senhor Bispo do Porto já nos prometeu a necessária autorização por
escrito, ao teor dos cânones 497, § 1 e 2, e 1.162 § 4, e como o mandam
as nossas leis, para se poder instalar na sua diocese o nosso Seminário,
remeteremos a V.ª Rev.ma esse documento, logo que o recebermos carimbado
e assinado pelo Senhor Bispo.
10º)
-
Sobre o que nos parece mais conveniente fazer com o nosso actual
Seminário de Vila Nova de Poiares, se o abandonarmos, já escreverei a
V.ª Rev.ma uma carta separada.
Agora
todo o Comissariado espera com verdadeira sofreguidão a resposta que V.ª
Rev.ma e o seu Definitório darão ao nosso pedido.
ACTA DA ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA DO COMISSARIADO
OU CARTA DOS MESMOS AO REVERENDÍSSIMO PADRE GERAL
Convocados em sessão extraordinária pelo Muito Reverendo Padre
Comissário Provincial, de acordo com os seus Definidores, todos os
Superiores locais do Comissariado, juntamente com os dois Fabriqueiros,
os quatro membros da Comissão do Seminário, o Mestre de Noviços e o
Secretário Provincial, para se chegar a uma solução sobre a colocação
definitiva do Seminário Seráfico, que temos urgentemente de tirar de
Vila Nova de Poiares, onde ultimamente tem estado instalado.
Reunidos todos os mencionados Religiosos no nosso Convento do Porto, no
dia 4 de Fevereiro do ano corrente,
depois
de terem sido amplamente informados pelo
muito Rev.º Padre Comissário
Provincial sobre o que nesse sentido tinha sido feito pelo Definitório e
pela Comissão especial do Seminário, estudadas
detida e minuciosamente as diversas soluções que se poderiam dar ao
caso, pesando-lhe os prós e os contras,
visitadas
por todos as sete casas e quintas previamente seleccionadas pelos Muito
Reverendos Padres Comissário Provincial, e seus Assistentes, dentre as
quarenta e tal anteriormente estudadas e visitadas pelos mesmos ou pelos
Senhores Padres que formam a Comissão do Seminário,
submetido finalmente o assunto à votação por escrito dos sobreditos
Padres Comissário Provincial, Assistentes, Fabriqueiros, Superiores
locais, Mestre de Noviços, Secretário Provincial e membros da Comissão
do Seminário,
e tendo
resultado dessa votação que a totalidade dos citados Religiosos se
inclina para a aquisição ou compra da casa e quinta chamada da Bouça-Cova, situada a 7 km da cidade do Porto, nas cercanias da vila de
Gondomar, SUPLICAM a V.ª Rev.ma, e ao seu Definitório Geral que autorizem a
aquisição ou compra da referida casa e quinta da Bouça-Cova, para nela
se instalar, por enquanto provisoriamente e depois definitivamente, o
nosso Seminário Seráfico.
Os
sobreditos Padres Comissário Provincial, Assistentes, Fabriqueiros,
Superiores locais, Mestre de Noviços, Secretário Provincial e membros da
Comissão do Seminário imploram para eles próprios e para todo o
Comissariado Provincial de Portugal a Bênção Seráfica de V.ª Rev.ma.
(seguem
as assinaturas
de todos):
Fr.
CORNÉLIO DE SAN FELICES, Comissário Provincial
Fr.
Mateus do Souto, Primeiro Assistente
Fr.
Rafael de Serafão, Segundo Assistente e Guardião do Tronco
Fr.
Francisco da Mata, Guardião de Barcelos
Fr.
Boaventura da Torre, Guardião de Vila Nova de Poiares e membro da
Comissão do Seminário.
Fr.
Joaquim de Moena, Guardião de Lisboa
Fr.
Ângelo de Ribas, Superior de Beja
Fr.
Hilário do Burgo, Superior de Coimbra
Fr.
Pedro de Macieira, Superior da Fátima
Fr.
João Evangelista de Idiazábal, Primeiro Fabriqueiro
Fr.
Jerónimo do Souto, Segundo Fabriqueiro
Fr.
Epifânio de Limeira, Mestre de Noviços
Fr.
Fernando de Negreiros, Secretário Provincial
Fr.
Fulgêncio de A. Chaves, membro da Comissão do Seminário
Fr.
Donato de Ourém, membro da Comissão do Seminário
Fr.
Vítor de Oleiros, membro da Comissão do Seminário
Porto,
Convento do Tronco, 4 de Fevereiro de 1958.
REQUERIMENTO
D0 MUITO REVERENDO PADRE COMISSÁRIO PROVINCIAL
A PEDIR
AO
SENHOR BISPO
DO PORTO LICENÇA PARA
INSTALAR O SEMINÁRIO SERÁFICO EM GONDOMAR
O
abaixo assinado, Padre Frei Cornélio de San Felices, Comissário
Provincial dos Missionários Capuchinhos em Portugal,
SUPLICA
humildemente a competente autorização ao teor dos cânones 497, § 1 e 2 e
1.162, § 4, para poder instalar o Seminário Seráfico dos referidos
Missionários Capuchinhos na casa e quinta da Bouça- Cova, na vila de
Gondomar, pertencente à diocese do Porto, que V.ª Ex.ª Rev.ma tão sábia
e dignamente dirige.
Juntamente com os Seminaristas deverão viver nessa Casa os Padres
Professores e os Irmãos Leigos suficientes para o bom funcionamento do
dito Seminário.
É uma
grande graça e um não pequeno favor que espero obter do coração bondoso
e do zelo que V.ª Ex.ª Rev.ma tem pelas almas, graça e favor que, em
nome da Ordem Capuchinha, antecipadamente agradeço, com o mais vivo
desejo de que o Seráfico Patriarca S. Francisco de Assis Lhe conceda
abundantíssimas bênçãos do Céu.
De V.ª
Ex.ª Rev.ma, afectuosíssimo servo em Cristo Jesus
Fr.
CORNÉLIO DE SAN FELLICES
Comissário Provincial
COMUNICAÇÃO DA RESPOSTA DO SENHOR BISPO
DO PORTO AO REQUERIMENTO ANTERIOR
CÚRIA EPISCOPAL DO PORTO
SECRETARIA PARTICULAR
Prot.
50-58
Porto,
10 de Fevereiro de 1958
Rev.mo
Senhor,
Em
referência ao requerimento de V.ª Rev.ma, de 6 de Fevereiro corrente,
pedindo autorização para instalar o Seminário dos Padres Missionários
Capuchinhos na casa e quinta da Bouça-Cova, na vila de Gondomar,
cumpre-me comunicar que Sua Ex.ª Rev.ma o Senhor Bispo houve por bem
exarar o seguinte despacho: «Como pede, pressuposto o beneplácito da
Santa Sé e verificado o disposto no Cânone 496, quanto à compra e
sustentação da casa. Quanto à abertura de templo para os fiéis, será
objecto de nova consideração, quando se oferecer oportunidade.
Porto,
8-11-1958.
+
António, Bispo do Porto».
Aproveitando a oportunidade, apresento respeitosos cumprimentos com
votos de que Deus guarde V.ª Rev.ma
Padre
José António Godinho de Lima |
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