No lugar que o povo designa por
“Terreiro da Erva” onde se situa o “Adro de Santa Justa”, existiram, o
mosteiro e a igreja de Santa justa. A sua fundação remonta ao século XII.
Da vida interna do mosteiro, pouco ou nada ficou para a história. Não
duvidamos, contudo, que, nele viveram monges franceses chamados de Santa
Maria da Caridade.
Sabe-se que foi o presbítero
Rodrigo que construiu a igreja e fundou o mosteiro de Santa Justa.
Também existe um documento que nos diz que foi D. Maurício, ao tempo,
Bispo de Coimbra, com o seu cabido que fez a doação da igreja, ficando
esta dependente de S. Pedro de Rates (no Norte de Portugal).
No final do século XIII ou
princípio do XIV, a igreja foi totalmente remodelada, a ponto de se
mudar o seu próprio estilo. Ficou um templo gótico de três naves e três
absides.
Em 1708 houve enormes inundações
no rio Mondego que banha a cidade de Coimbra. Aquelas resultaram de
chuvas torrenciais que, caindo durante setenta e duas horas, fizeram da
baixa da cidade, uma segunda Veneza. Entre os edifícios atingidos e
danificados contou-se a igreja de Santa Justa. Esta, não só sofreu os
estragos da inundação, mas, quando as águas se retiraram, ficaram as
terras de aluvião que não permitiram utilizar mais aquele templo. Os
clérigos da colegiada viram-se obrigados a abandoná-lo definitivamente.
O que puderam salvar, levaram-no para a igreja de S. Tiago, existente
ali perto.
Passados dois anos, em 1710, era
benzida com grande solenidade, a primeira pedra da nova igreja de Santa
Justa no local onde agora se encontra. Presidiu ao acto, D. António de
Vasconcelos e Sousa, Bispo de Coimbra. As circunstâncias relativas à
cerimónia ficaram gravadas em lápide à esquerda de quem entra no templo.
Foi a 24 de Agosto de 1710.
A construção durou 13 anos e
seis meses, tendo-se concluído a 28 de Fevereiro de 1724. Também este
evento ficou gravado para a posteridade numa segunda lápide, semelhante
à primeira, na fachada da nova igreja, à direita de quem entra.
PORMENORES DE INTERESSE
Santa Justa foi colegiada desde
1567 a 1866, não tendo esta sofrido alteração com a mudança para o novo
templo.
Foi paróquia sensivelmente
durante os mesmos séculos. A sua extinção deu-se a 20 de Novembro de
1854, ficando incorporada na Paróquia de Santa Cruz.
No ano em que Santa Justa foi
integrada em Santa Cruz, ficou confiada às irmandades do Senhor Jesus de
Santa Justa e de S. José, ali canonicamente erectas.
Em carta com data de 10 de Junho
de 1943, D, António Antunes, Bispo de Coimbra, entregava ao cuidado dos
Padres Capuchinhos, a Igreja de Santa Justa para “nela exercerem e
activarem o sagrado culto”.
No dia 16 de Outubro de 1929,o
Bispo de Coimbra D. Manuel Coelho da Silva, mandava “autuar” o rescrito
da Santa Sé, solicitado pelo pároco de Santa Cruz “para a conservação do
Santíssimo Sacramento, permanentemente, na igreja de Santa Justa.
A igreja de Santa Justa foi
considerada “monumento nacional de 2ª classe” no Diário do Governo nº 62
de 19 Março de 1881.