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Franciscanos Capuchinhos em Angola

 

 

Franciscanos Capuchinhos em Luanda

 

Em Luanda, Santo António, é conhecida como a fraternidade dos Capuchinhos Portugueses. Para lá chegar é preciso ir para a periferia, a norte da capital, até ao ex-bairro da Cuca (sigla da “Companhia União de cervejas de Angola”).

Mas no início não foi assim. A sede principal encontrava-se em Caxito, na capital da prfrei M. Rito em trabalho pastoral junto de pequenas comunidadesovíncia do Bengo, 60 Kms ainda mais a Norte. Existia aí uma fazenda chamada Tentativa, que produzia açúcar de cana e empregava 5000 trabalhadores. Aí ainda existe um santuário dedicado a Santa Ana. Falemos dos seus começos. Os dois primeiros Capuchinhos que em 22 de Agosto de 1954 embarcaram, em Lisboa, no paquete “Rita Maria” e passaram o Equador para chegar a Angola foram o brasileiro Frei Cirilo Vargas e o português frei Lourenço Torres Lima, ambos na faixa etária dos 30 anos. Depois de 16 dias de mar largo, estes dois missionários entraram no encantador porto de Luanda antes do pôr-do-sol do dia 6 de Setembro, enquanto os raios fugitivos perpassavam pelas jovens palmeiras da marginal.

A ideia de abrir uma Missão em Angola foi tomada pelos Capuchinhos Portugueses no dia 22 de Janeiro daquele ano e aprovada com satisfação no dia 30 de Julho seguinte. Tendo aumentado o número, em 1955, avançaram um pouco para Norte e fixaram-se na missão de Nambuangongo, a 180 Kms de Luanda. Mas o verdadeiro salto de qualidade foi dado por aqueles missionários durante e após o Concilio Vaticano II, mais precisamente entre Novembro de 1964 e 2 de Novembro de 1968, dia em que foi oficialmente proclamada a Missão Regular dos Capuchinhos Portugueses. Naqueles quatro anos a sua presença assumiu um papel significativo e diversas iniciativas foram levadas a cabo. As mais importantes: a Paróquia de São Francisco na cidade de Uíje (3 de Outubro de 1965) e a casa da Ordem na Paróquia de Luanda - Santo António de Lisboa (31 de Maio 1968).

Vem daquele tempo o projecto de criar em Luanda uma filial da Difusora Bíblica. Nascida em Portugal no seio da Ordem dos Capuchinhos, e por eles dinamizadaIgreja de Santo António, em Luanda sempre com novo impulso e crescente implantação, a Dinamização Bíblica do Povo de Deus é uma das apostas mais recentes da presença capuchinha em Angola, agora que as condições parecem ser mais favoráveis. Outro projecto dos primeiros tempos foi o de construir na capital uma igreja para a sua paróquia. Dedicada a Santo António, tem as paredes laterais em tipo de rampa livre descendente e, ao lado, uma elegante torre sineira. Uma outra bela igreja, de planta circular, foi construída em Caxito, diante do célebre santuário de Santa Ana.

Nas vésperas da independência, os Capuchinhos portugueses, presentes em Angola, somavam um total de 12, compreendido o bispo de Uíje, D. Francisco da Mata Mourisca, número nunca depois superado. A independência foi fatal para os “doze”. Caiu sobre eles com tal violência que forçou a maioria a regressar ao seu país. Neste momento histórico encontramos capuchinhos portugueses não apenas em Luanda, mas também no Musseque do Casenga, no Uíge, no Songo, em Quitexe, em Nova Caipemba (com Vale do Loge e Lucunga), em Catete e Muxima, em Cacuaco, na Barra do Bengo e em Caxito. Lugares “quentes”, falando em termos militares. Se juntarmos a isso a “caça ao branco” (especialmente portugueses), está tudo dito.

Com a proclamação da independência, concretizada em 11 de Novembro de 1975, Em Angola, durante muitos anos, prevaleceu a escolha pela guerra fratricida em vez do diálogo à volta da uma mesadestes 12 ficaram apenas 4. É esclarecedor referir quanto escreveram sobre aqueles meses pesados como chumbo e cheios de infinita tristeza. Os textos encontram-se na sua publicação “Informação Missionária” n.º 3: “Ninguém prevê o que esteja para acontecer politicamente em Angola. Apenas se sabe, com certeza, que os três movimentos de libertação não pensam adiar a independência para além do dia 11 de Novembro”. Acrescentaram: “surgiu ultimamente uma forte campanha diplomática por parte da O.U.A. no sentido de reunir mais uma vez à volta de uma mesa os três presidentes. Caso não seja possível, admite-se a hipótese de ser proclamada a independência nas circunstâncias actuais e só depois, pelo diálogo ou pela guerra, se resolveria a situação. Mas prevaleceu a escolha pela guerra fratricida em vez do diálogo à volta da uma mesa; guerra até ao aniquilamento das etnias angolanas inimigas (mas que até àquele momento tinham sido irmãos e solidários na luta armada contra o colonialismo). Um cenário que, infelizmente, se repete muitas vezes na história.

Esta foi a causa que desencadeou a tragédia de quanto deveria acontecer durante 17 anos e meio, o tempo decorrido entre 11 de Novembro de 1975 e o acordo de paz em 21 de Novembro de 1994. Entre Junho de 1991 e Outubro de 1992, a visita do Papa trouxe um breve intervalo de alguma paz. Mas retomemos o testemunho daqueles missionários. É deveras significativo este título dado a uma das suas notícias: "Uige: ou os purgatórios para sair de um inferno". Noutra descreviam assim o Caxito: "A vila do Caxito é habitada apenas por militares. Os únicos civis somos nós. Todas as casas foram saqueadas. (...) As duas igrejas da vila também."

São 4 os missionários portugueses presentes actualmente em Angola: o frei Adelino Soares, no Lubango, o frei António Joaquim e o frei Alfredo de Sousa, emA partir de hoje, as crianças angolanas, não voltarão a pegar em armas, e ensinarão os adultos a "fazer das espadas relhas de arado" Camabatela, e o frei Luís Leitão, em Luanda. Há ainda dois Bispos capuchinhos portugueses: D. Francisco da Mata Mourisca, Bispo emérito do Uíje e D. Joaquim Ferreira Lopes, Bispo de Viana.

A vida e missão destes missionários capuchinhos portugueses desenvolve-se dentro de uma realidade mais vasta: a Vice-Província dos Capuchinhos de Angola, criada em 30 de Abril de 1988, reunindo os frades angolanos, os de Veneza (Itália) e os de Portugal.

A alegria de pertencer, em tudo e para tudo, a uma família maior e mais articulada fez-lhes esquecer (pelo menos em parte) a amargura dos meses imediatamente antes da independência e, sobretudo, os anos seguintes, quando em Setembro de 1978 tiveram que declarar a supressão da sua Missão Regular, desvanecendo-se assim muitos dos seus sonhos.

 

 
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