Lc 22

Da Biblia Online

VI. PAIXÃO E RESSUREIÇÃO (22,1-24,53; ver Mt 26,1-28,20; Mc 14,1-16,20; Jo 1-20,29)


Conspiração dos judeus (Mt 26,1-5; Mc 14,1-2; Jo 11,45-53) - 1Entretanto, aproximava-se a festa dos Ázimos, chamada Páscoa. 2E os sumos sacerdotes e doutores da Lei procuravam maneira de fazerem desaparecer Jesus, mas temiam o povo.


Traição de Judas (Mt 26,14-16; Mc 14,10-11; Jo 12,1-11) - 3Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era do número dos Doze. 4Judas foi falar com os sumos sacerdotes e os oficiais do templo sobre o modo de lhes entregar Jesus. 5Eles regozijaram-se e combinaram dar-lhe dinheiro. 6Judas concordou e procurava ocasião de o entregar, sem a multidão saber.


Preparação da Ceia Pascal (Mt 26,17-19; Mc 14,12-16) - 7Chegou o dia dos Ázimos, em que devia sacrificar-se o cordeiro, 8e Jesus enviou Pedro e João, dizendo: «Ide preparar-nos o necessário para comermos a ceia pascal.» 9Perguntaram-lhe: «Onde queres que a preparemos?» 10Respondeu: «Ao entrardes na cidade, virá ao vosso encontro um homem transportando uma bilha de água. Segui-o até à casa em que entrar 11e dizei ao dono da casa: ‘O Mestre manda dizer-te: Onde é a sala, em que hei-de comer a ceia pascal com os meus discípulos?’ 12Mostrar-vos-á uma grande sala mobilada, no andar de cima. Fazei aí os preparativos.» 13Partiram, encontraram tudo como lhes tinha dito e prepararam a Páscoa.


Instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Jo 6,51-59; 1 Cor 11,23-27) - 14Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. 15Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, 16pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.»

17Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, 18pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.»

19Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.»

20Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.»


Anúncio da traição de Judas (Mt 26,20-25; Mc 14,17-21; Jo 13,2.18.21-32) - 21«No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! 22O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!» 23Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa.


Poder e serviço (Mt 20,20-28; Mc 10, 42-45; Jo 13,1-17) - 24Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior.

25Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. 26Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. 27Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve.

28Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, 29e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, 30a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.»


Anúncio das negações de Pedro (Mt 26,30-35; Mc 14,26-31; Jo 13,36-38) - 31E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. 32Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.»

33Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.» 34Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me.»


A hora do combate iminente - 35Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.»

36E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma. 37Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura: Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito chega ao seu termo.» 38Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele respondeu-lhes: «Basta!»


Oração de Jesus no Monte das Oliveiras (Mt 26,36-46; Mc 14,32-42; Jo 18,1-2) - 39Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. 40Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» 41Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: 42«Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.»

43Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. 44Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. 46Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.»


Prisão de Jesus (Mt 26,47-56; Mc 14,43-49; Jo 18,3-11) - 47Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. 48Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?»

49Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» 50E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. 52Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos:

«Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! 53Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.»


Três negações de Pedro (Mt 26,69-75; Mc 14,66-72; Jo 18,15-18.25-27) - 54Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. 55Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles.

56Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» 57Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» 58Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» 59Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» 60Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.»

E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. 61Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» 62E, vindo para fora, chorou amargamente.


Primeiros ultrajes (Mt 26,67-68; Mc 14,65) - 63Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. 64Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» 65E proferiam muitos outros insultos contra Ele.


Jesus no tribunal judaico (Mt 26,59.63-65; Mc 14,55.61-64; Jo 18,19-24) - 66Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. 67Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis 68e, se vos perguntar, não respondereis. 69Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.»

70Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.»

71Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.»



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