2 Rs 18
Ezequias, rei de Judá (727-698) (2 Cr 29,1-2) – 1No terceiro ano do reinado de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá. 2Tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono; reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Abi, filha de Zacarias. 3Fez o que é recto aos olhos do Senhor, conforme o exemplo de David, seu pai. 4Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os símbolos de Achera. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque, até então, os israelitas queimavam incenso diante dela. Chamavam-na Neustan. 5Ezequias pôs a sua esperança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele, entre todos os reis de Judá que o precederam ou lhe sucederam. 6Conservou-se unido ao Senhor, nunca se afastou do seu seguimento e observou todos os mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés. 7Por isso, o Senhor esteve com ele e Ezequias era bem sucedido em todas as suas empresas. Sacudiu o jugo do rei da Assíria e livrou-se do seu domínio. 8Derrotou os filisteus até Gaza e devastou o seu território, desde as simples torres de vigia, até às cidades fortificadas.
9No quarto ano do reinado de Ezequias, correspondente ao sétimo do reinado de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, veio sitiar a Samaria. 10Ao fim de três anos apoderou-se dela. A Samaria foi tomada no sexto ano de Ezequias, correspondente ao nono do reinado de Oseias, rei de Israel. 11O rei da Assíria levou os filhos de Israel cativos para a Assíria, instalou-os em Hala, nas margens do Habor, rio de Gozan, e nas cidades da Média.
12Isto aconteceu, porque não deram ouvidos à voz do Senhor, seu Deus; pelo contrário, quebraram a sua aliança, recusando-se a ouvir e a praticar o que ordenara Moisés, servo do Senhor.
Invasão de Senaquerib (2 Cr 32,1-23; Is 36-37) – 13No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortes de Judá e tomou-as de assalto.
14Então Ezequias, rei de Judá, mandou dizer ao rei da Assíria, em Láquis: «Cometi uma falta. Não me ataques mais. Submeter-me-ei a tudo o que me impuseres.» O rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, um tributo de trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. 15Ezequias entregou toda a prata que se encontrava no templo do Senhor e nos tesouros do palácio real. 16Tirou também o revestimento de ouro que ele mesmo, Ezequias, rei de Judá, mandara aplicar nas portas do templo do Senhor, e entregou tudo ao rei da Assíria. 17Mas o rei da Assíria enviou, de Láquis, contra o rei Ezequias, em Jerusalém, o general do exército, o chefe dos eunucos e o seu copeiro-mor com um poderoso corpo de tropas. Puseram-se em marcha e, quando chegaram a Jerusalém, fizeram alta, acamparam junto ao aqueduto do reservatório superior, que se encontrava no caminho do campo do pisoeiro, 18e mandaram chamar o rei. Mas foi Eliaquim, filho de Hilquias, preferido do palácio, que foi ter com eles, levando consigo Chebna e o cronista Joá, filho de Asaf.
19O copeiro-mor disse-lhes: «Direis a Ezequias: Assim fala o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é essa que manifestas? 20Julgas que as simples palavras representam alguma experiência e valentia para a guerra? Em que confias, para ousares resistir-me? 21Pões a tua confiança no Egipto, esse caniço rachado que fere e trespassa a mão de quem nele se apoia? Assim é o faraó, rei do Egipto, para todos os que nele esperam.
22Dir-me-eis, sem dúvida: ‘A nossa esperança está no Senhor, nosso Deus.’ Mas não é Ele aquele Deus, cujos altares e lugares altos Ezequias destruiu, dizendo aos homens de Judá e de Jerusalém que somente diante deste altar em Jerusalém vos devereis prostrar? 23Faz, por conseguinte, um tratado com o meu soberano, o rei da Assíria, e eu te darei dois mil cavalos, se tiveres cavaleiros para os montar. 24Como poderás resistir diante de um só dos mais modestos oficiais do meu senhor? Esperas ainda que o Egipto te forneça carros e cavaleiros? 25Terá sido, porventura, sem o consentimento do Senhor que eu ataquei esta cidade para a destruir? O Senhor disse-me: ‘Sobe a essa terra e destrói-a.’»
26Eliaquim, filho de Hilquias, o escriba Chebna e Joá disseram ao copeiro-mor: «Fala aos teus servos em aramaico, dialecto que compreendemos. Não nos fales em hebraico diante da multidão que está sobre a muralha.» 27Mas o copeiro-mor replicou-lhe: «Por acaso o meu senhor mandou-me dizer estas coisas só a ti e ao teu senhor? Não foi, antes, a toda essa multidão que está sobre a muralha, obrigada a comer os seus excrementos e a beber a sua urina?»
28Então o copeiro-mor aproximou-se e gritou bem alto, em hebraico: «Ouvi o que diz o grande rei, o rei da Assíria! 29Isto diz o rei: Não vos deixeis enganar por Ezequias; ele não vos poderá livrar das minhas mãos. 30Não vos inspire Ezequias confiança no Senhor, dizendo: ‘O Senhor livrar-vos-á e esta cidade não cairá nas mãos do rei da Assíria!’ 31Não deis ouvidos ao rei Ezequias! Isto vos diz o rei da Assíria: Fazei a paz comigo. Rendei-vos, e cada um de vós poderá comer os frutos da sua vinha e da sua figueira e beber a água do seu poço, 32até que eu venha e vos traslade para uma terra semelhante à vossa, terra fértil em trigo e vinho, terra de pão e de vinhas, terra de olivais, de azeite e de mel. Deste modo, salvareis a vossa vida e não morrereis. Não ouçais Ezequias, porque vos engana, ao dizer: ‘O Senhor nos salvará!’ 33Porventura os deuses das outras nações salvaram a sua própria terra das mãos do rei da Assíria? 34Onde estão os deuses de Hamat e de Arpad? Onde estão os deuses de Sefarvaim, de Hena e de Ava? Livraram a Samaria de cair nas minhas mãos? 35Quais são, entre todos os deuses dessas terras, os que salvaram o seu próprio país das minhas mãos, para que o Senhor possa salvar Jerusalém?» 36O povo ouviu em silêncio e não lhe respondeu uma só palavra, porque o rei ordenara que não respondessem. 37Eliaquim, filho de Hilquias, prefeito do palácio, o escriba Chebna, e o cronista Joá, filho de Asaf, voltaram a Ezequias com as vestes rasgadas, e referiram-lhe as palavras do copeiro-mor.
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