Família Franciscana

FRANCISCANOS «UNIDOS PELA FRATERNIDADE»

 

 

FRANCISCANOS «UNIDOS PELA FRATERNIDADE»

 

Nos dias 22, 23 e 24 de Maio de 2017 realizou-se, na Escuela Superior de Estudios Franciscanos (ESEF), em El Pardo, Madrid, o VII Congresso, este ano dedicado ao tema «Todos, indistintamente, se chamem irmãos menores» (1R 6,3). Unidos pela fraternidade».

O tema escolhido foi motivado pela celebração do V Centenário da Bula Ite vos, do Papa Leão X, a qual, apesar de ter como objetivo a união na Ordem dos Frades Menores, acabou por a dividir ainda mais. Mas o desafio continua, e foi recentemente reproposto pelo Papa Francisco aos Ministros Gerais da Primeira Ordem, quando, em Assis, lhes perguntou: «Que fazeis, que ainda não estais unidos?»

 

 

Por isso, quis a ESEF, que organizou este Congresso, convidar os três Ministros Gerais da Primeira Ordem: Fr. Marco Tasca (Conventuais), Fr. Mauro Jöhri (Capuchinhos) e Fr. Michael Perry (Observantes). A estes juntou-se ainda o Ministro Geral da OFS, Ir. Tibor Kauser. Para além da pertinência do tema, esta presença dos Ministros Gerais terá motivado ainda mais a presença dos cerca de 150 participantes, vindos de diferentes países e de diferentes “obediências” franciscanas, com destaque para a participação de um número considerável de Irmãs Clarissas. De Portugal, os participantes foram nove: cinco dos Franciscanos Observantes e quatro dos Franciscanos Capuchinhos.

Os temas apresentados foram os seguintes: “A fraternidade franciscana: um tesouro comum”, por Marco Tasca, Ministro Geral OFMConv.; “As boas relações, fundamento da vida comum”, por Francesc Torralba, filósofo e teólogo; “A comunhão eclesial: berço da fraternidade”, por Michael Perry, Ministro Geral OFMObs.; “A Igreja dos pobres, Igreja dos menores”, por Sebastián Mora, Secretário Geral da Caritas espanhola; “O apostolado da fraternidade”, por Mauro Jöhri, Ministro Geral OFMCap.; “Fraternidade e laicidade num mundo multicultural”, por Luís María Cifuentes Pérez, filósofo; “São Francisco, jogral de Deus”, que foi sobretudo um diálogo com Rafael Álvarez, “El Brujo”, artista de palco que prendeu a atenção de todos pela sua alma profundamente franciscana. Do programa constou ainda uma mesa redonda, partilhando “caminhos de fraternidade”: projetos interfranciscanos na Península Ibérica (Juan Carlos Moya, Presidente da Família Franciscana Espanhola); novos projetos franciscanos na Europa (Joaquín Agesta, Conselheiro Geral OFMConv.);

 

passos rumo à nova Universidade Franciscana (Mary Melone, Reitora da P.U.Antonianum, e Luca Bianchi, Presidente do I.F.S.). A presença da Ir. Mary Melone e do Fr. Luca Bianchi foi também justificada pela assinatura de um acordo entre a Pontifícia Universidade Antonianum e a ESEF, reconhecendo aquela os créditos nas matérias frequentadas pelos alunos desta, caso venham a prosseguir estudos naquela Universidade Pontifícia.

 

Neste Congresso perspetivaram-se caminhos futuros de mais unidade e comunhão entre as diversas Obediências franciscanas, nomeadamente na Primeira e Segunda Ordem. O desejo de continuar a dar passos em frente nesta linha, ficou bem patente na chamada “declaração de Madrid”, com a qual terminou este Congresso, e da qual se poderiam destacar os seguintes compromissos:

  • Conscientes, como família franciscana e como cidadãos, de participar num momento de novidade e de luz, não queremos deixar passar a ocasião de manifestar o nosso desejo de viver e evangelizar unidos pela fraternidade.
  • Neste processo de comunhão fraterna, estamos chamados a uma comunhão na diversidade que se aglutina numa unidade ampla, envolvente, espiritual. Do mesmo modo que a desunião foi a consequência de um largo processo de afastamento, a comunhão na diversidade há-de ser fruto de outro processo de aproximação, apreço e colaboração.
  • Neste projeto de unidade devemos ir descobrindo a estranha e formosa razão comum que nos sustenta, manifestada nas expressões maravilhosas da pluralidade, e procurar resposta para a grande pergunta: que portas nos abre hoje a fraternidade comum?
  • Nesta que é a nossa hora, devemos valorizar todas as tentativas que já estão em marcha e que apontam para o horizonte da unidade: a convivência e colaboração interfranciscana; a criação de uma única Universidade Franciscana; projetos sociais e formativos, etc.
  • Não podemos descartar do horizonte da vida franciscana o desejo de unidade total numa só família de irmãos e irmãs menores, na linha do que queria São Francisco: «Todos, indistintamente, se chamem irmãos menores» (1R 6,3).

 

O texto do marcador distribuído a todos os participantes do Congresso, que a seguir se transcreve em castelhano, traduz bem, em forma poética, todo este desejo e compromisso:

 

Como os largos oceanos

onde milhões de gotas

vivem num abraço azul;

 

como os grandes rios

recolhem regatos

fundidos num mesmo rumor;

 

como os bosques frondosos

albergam árvores diversas

que entrelaçam os seus ramos;

 

assim nós,

irmãs e irmãos menores

continuamos ansiando

pelo ardente lar

da fraternidade.

 

Que Jesus,

o irmão Francisco

e Clara, sua melhor irmã,

nos convoquem diariamente

para o belo trabalho

da unidade. Ámen.

 

Frei Fernando Alberto

(um dos participantes)