Vigília do Espírito de Assis em Barcelos
«Sentados
lado a lado, João Paulo II, o Arcebispo de Cantuária, um metropolita
russo e o Dalai Lama; não falavam de religião, simplesmente se sentiam
felizes por estarem juntos».
Assim recorda o Cardeal
Etchegaray trazendo à memória o primeiro encontro da história
dos representantes das principais religiões que se juntaram a 27 de
Outubro de 1986, em Assis, para
um dia de oração, de peregrinação e de jejum pela paz.
A noite
passada, também em Barcelos, se
procurou viver de forma especial o Espírito de
Assis, através da celebração de uma vigília, preparada
durante vários dias pelos jovens da Comunidade de Santo António, e que juntou
grupos de jovens de diversas comunidades cristãs.
A celebração começou,
claro está, pelo acolhimento, desta vez feito pelo
Grupo de Jovens de La Salle.
Coube-lhes o tema da Vocação de Francisco de Assis,
uma vocação com 800 anos, que continua a fazer muitos jovens perguntarem
ao "Cristo de São Damião": perante o mundo de hoje, «Senhor,
que queres que eu faça?»
Seguiu-se a procissão de entrada. O
frei Fabrizio Bordin, Franciscano
Conventual e Presidente da Família Franciscana Portuguesa e o
frei Manuel Pires, Franciscano Capuchinho,
beijaram, em nome de toda a assembleia, o crucifixo de
São Damião enquanto os jovens cantavam
entusiasmados um hino à comunhão: "Igreja reunida".
Depois de uma breve reflexão do frei
Fabrizio acerca do Espírito de Assis e de
como ao fim de vinte e um anos ele continua a constituir um silencioso
grito de urgência pela paz e diálogo entre os homens de todas as
religiões, raças e nações, o Grupo
JOBIFRAN procurou mostrar que o Espírito de
Assis também é Espírito de Fraternidade,
tomando como paradigma o encontro de Francisco com o Leproso e
convidando cada um dos presentes na assembleia a procurar "o outro, o
desconhecido, o irmão" e a abraça-lo.
Numa vigília onde o canto convidava a uma
interiorização cada vez maior do Espírito
Ecuménico do Pobrezinho de Assis,
subitamente,
alguns instrumentos, pareceram
desafinados; eram as três grandes religiões monoteístas: Judaísmo,
Islamismo e Cristianismo, até que o Grupo de
Jovens de Santa Maria Maior (Igreja Matriz) nos mostraram como os
três instrumentos, tocados pelo único Deus, podiam, sem se abafarem uns
aos outros, tocarem em conjunto a grande melodia da paz.
Rezou-se uma paráfrase do Pai-Nosso, a
mesma oração que foi rezada no primeiro encontro de oração em Assis, e
que só não foi escutada pelo Lobo de Gúbio
entretanto amansado por Francisco e pelos Lobitos
do Agrupamento nº 13 dos Escuteiros num convite à
tolerância mas também ao
respeito pela Criação e, já quase no final,
antes do compromisso e da bênção final, os
Jovens sem Fronteiras prepararam o
envio através duma reflexão sobre a
missão.
«A Messe é grande», cantava-se no final,
mas, pelo que se viu, não faltam jovens corajosos com vontade de ir
pelas escolas, famílias e cidades e dizer não a
tudo o que ofende a dignidade humana e a proclamar bem alto a
toda a criatura: Paz e Bem!
Costumamos dizer que a pomba é o símbolo
da paz... não permitamos que o mundo em que vivemos lhe corte as asas!
Texto:
Frei Hermano Filipe
Fotos: Susana Fernandes